Montanhas em Saint-Rémy (julho de 1889): os Alpilles com uma cabana, pintados a partir de um romance

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Montanhas em Saint-Rémy (Mountains at Saint-Rémy; na edição das cartas, Os Alpilles com uma cabana) é um óleo sobre tela de 72,8 × 92 cm que Vincent van Gogh pintou no hospital de Saint-Rémy-de-Provence em julho de 1889. Mostra uma massa de montanhas cinzentas e azuis que ocupa quase toda a tela, com as rochas pintadas em longas pinceladas onduladas e contornadas de preto; embaixo, entre árvores verdes, uma cabana de paredes escuras e uma faixa de caminho claro; no alto, um céu azul agitado. Catalogado como F622 / JH1766, está no Museu Solomon R. Guggenheim de Nova York (78.2514.24), na coleção Thannhauser.

Significado de Montanhas em Saint-Rémy: o que representa

O Guggenheim explica assim: «Montanhas em Saint-Rémy foi pintado em julho de 1889, quando Van Gogh se recuperava de uma dessas crises no hospital de Saint-Paul-de-Mausole, na cidade de Saint-Rémy, no sul da França. O quadro representa os Alpilles, uma cadeia de montanhas baixas visível dos terrenos do hospital. Nele, Van Gogh deu vida ao terreno e ao céu com o empaste denso e as pinceladas largas e enérgicas características de sua obra tardia». O museu lembra que Van Gogh defendia pintar do natural em vez de inventar o motivo, e que acreditava que pintar ao ar livre o ajudaria a recuperar a saúde.

A crise foi a primeira que ele sofreu em Saint-Rémy, no verão de 1889. Van Gogh contou a Theo em 22 de agosto: «Esta nova crise, meu querido irmão, me pegou nos campos, quando eu estava pintando, num dia de vento. Vou lhe mandar a tela, que mesmo assim terminei» (essa tela era, segundo a nota da edição, Entrada de uma Pedreira). E na mesma carta acrescenta: «embora eu não goste excessivamente do livro de Rod, fiz mesmo assim uma tela daquela passagem em que ele fala das montanhas escuras e das cabanas» (carta 797). Segundo as notas da edição das cartas, essa tela é este quadro.

Um romance por trás da paisagem

O livro era Le sens de la vie, de Édouard Rod, que Van Gogh tinha recebido em junho, provavelmente de uma das irmãs: «não é ruim, mas o título é um pouco pretensioso para o conteúdo… sobretudo, não é muito animador» (carta 783). A passagem que lhe interessou descreve, segundo as notas da edição, as cabanas dos montanheses, «pequenas e escuras, abrigos precários contra o frio terrível de seus invernos». Em setembro, ao mandar o quadro para Theo, Van Gogh o defendeu assim: «Eu gosto bastante da Entrada de uma Pedreira, que fiz quando sentia esta crise começar, porque para o meu gosto os verdes-escuros combinam bem com os tons de ocre, há neles algo de triste que é saudável, e por isso não me incomoda. Talvez seja também o caso da Montanha. Vão me dizer que as montanhas não são assim, e que há contornos pretos da largura de um dedo. Mas enfim, pareceu-me que exprimia a passagem do livro de Rod, uma das raríssimas passagens dele em que encontro algo de bom, sobre uma terra perdida de montanhas escuras em que se avistavam as cabanas escuras dos pastores de cabras, onde floresciam girassóis» (carta 805). Nessa carta ele o inclui entre as poucas obras da remessa que considerava «um pouco boas», ao lado do trigal, do pomar, das oliveiras com as colinas azuis, do retrato e da Entrada da pedreira.

Análise: contornos «da largura de um dedo»

A montanha como matéria

Van Gogh antecipou a crítica: não queria descrever os Alpilles, e sim sua massa e seu movimento. As rochas são pintadas em faixas grossas de cinza, azul, ocre e branco que se retorcem como ondas, cada uma fechada por um contorno escuro, de modo que a encosta inteira parece se mover. Lembra a pincelada de A Noite Estrelada, pintada um mês antes, aplicada aqui à terra em vez do céu.

A cabana e os girassóis

Embaixo, no canto esquerdo, uma faixa de árvores e arbustos verdes cerca a pequena casa de telhado vermelho e paredes escuras, com algumas flores amarelas em primeiro plano, que evocam a «cabana dos pastores de cabras» e os girassóis da passagem de Rod, transportados para a paisagem real de Saint-Rémy. O caminho branco que aparece no canto inferior direito é a única linha reta do quadro. Para o museu, a natureza tinha para Van Gogh um sentido «quase religioso», em oposição à cidade, que ele considerava insalubre; esta paisagem sem ninguém, de montanhas e uma cabana, é uma imagem dessa ideia.

História

Van Gogh mandou o quadro para Theo por volta de 20 de setembro de 1889, com a carta 805. Segundo a ficha do Guggenheim, ele passou depois à coleção do marchand Justin K. Thannhauser, que o doou ao museu.

Onde ver Montanhas em Saint-Rémy

No Museu Solomon R. Guggenheim de Nova York, na coleção Thannhauser; vale conferir no site do museu se está em exposição. Você encontra a lista completa em onde ver os quadros de Van Gogh.

Todas as obras de Van Gogh do Museu Solomon R. Guggenheim que têm ficha neste site, com informações para a visita: Van Gogh no Museu Solomon R. Guggenheim.

Ficha técnica

TítuloMontanhas em Saint-Rémy (Mountains at Saint-Rémy; Montagnes à Saint-Rémy; The Alpilles with a hut)
AutorVincent van Gogh
DataSaint-Rémy-de-Provence, julho de 1889
TécnicaÓleo sobre tela
Medidas72,8 × 92 cm
CatálogoF622 / JH1766
LocalizaçãoSolomon R. Guggenheim Museum, Nova York (78.2514.24; coleção Thannhauser, doação de Justin K. Thannhauser, 1978)
FaseSaint-Rémy (1889–1890)

Obras relacionadas

Fontes: ficha da obra em guggenheim.org (78.2514.24); cartas 783, 797 e 805 com suas notas (vangoghletters.org).

Sobre esta ficha. Redigida por Jorge Torres, editor do Museu Van Gogh, e revisada em setembro de 2026. Fontes: cartas de Vincent van Gogh na edição do Museu Van Gogh e do Huygens Institute (vangoghletters.org), catálogos raisonnés de De la Faille (F) e Hulsker (JH) e a documentação do museu que conserva a obra. Como fazemos as fichas.