Campo de trigo com ceifeiro e sol (Wheat Field with Reaper and Sun; Korenveld met maaier en zon; na edição das cartas, Ceifeiro) é um óleo sobre tela de 73 × 92 cm que Vincent van Gogh pintou em Saint-Rémy-de-Provence entre o fim de junho e o início de setembro de 1889. Mostra o campo de trigo murado do asilo, dominado pelo amarelo, com as espigas pintadas em traços grossos e ondulantes e um pequeno ceifeiro com a foice à esquerda. Ao fundo, o muro do campo, algumas casas, os Alpilles em azul e violeta e um enorme sol amarelo-claro num céu da mesma cor. Catalogado como F617 / JH1753, está no Museu Kröller-Müller, em Otterlo (KM 101.173), onde, segundo a ficha do museu, está exposto. É a primeira versão do tema; a repetição de setembro, Campo de Trigo com Ceifeiro, está no Museu Van Gogh.
Significado de Campo de trigo com ceifeiro e sol: o que representa
O Kröller-Müller explica assim: «Sob o calor escaldante do sol do sul, um ceifeiro trabalha no campo. O trigo, pintado com grossas massas de tinta amarela, agita-se ao seu redor. Para Van Gogh, o trigo simboliza o ciclo eterno da natureza e a fugacidade da vida». O museu remete a uma carta a Theo de 5 e 6 de setembro de 1889, escrita enquanto Van Gogh se recuperava de uma crise: «Estou lutando com uma tela começada poucos dias antes da minha indisposição. Um ceifeiro, o estudo é todo amarelo, terrivelmente empastado, mas o tema era belo e simples. Vi então nesse ceifeiro – uma figura vaga que luta como um diabo em pleno calor do dia para chegar ao fim de sua labuta –, vi então nele a imagem da morte, no sentido de que a humanidade seria o trigo que se ceifa. Então, se você quiser, é o oposto daquele Semeador que tentei antes. Mas nesta morte nada de triste, ela acontece em plena luz do dia, com um sol que inunda tudo com uma luz de ouro fino» (carta 800). Segundo as notas da edição, a tela de que ele fala é esta, e na mesma carta ele anuncia que está tentando de novo «numa tela nova», a versão do Museu Van Gogh.
«Um pequeno ceifeiro e um grande sol»
Van Gogh tinha começado o quadro no fim de junho, nas mesmas semanas do Campo de Trigo com Ciprestes. Em 2 de julho ele o descreveu a Theo ao lhe enviar uns dez desenhos feitos a partir de seus quadros: «O último que comecei é o campo de trigo onde há um pequeno ceifeiro e um grande sol. A tela é toda amarela, com exceção do muro e do fundo de colinas arroxeadas» (carta 784). É o mesmo campo murado que ele tinha pintado verde em maio, em Campo de Trigo ao Amanhecer, e que voltaria a pintar arado no outono.
O museu acrescenta um dado sobre a recepção: o quadro foi mostrado na exposição dos Independentes de Paris em março de 1890, e Gauguin o viu lá. A carta dele a Van Gogh de por volta de 20 de março confirma: «Olhei com a maior atenção as suas obras desde que nos separamos, primeiro na casa do seu irmão e na exposição dos Independentes. […] Ofereço-lhe meus sinceros cumprimentos, e para muitos artistas você é o mais notável da exposição. Com as coisas da natureza, você é o único ali que pensa» (carta 859).
Análise: todo amarelo
O trigo
Quase toda a tela é trigo: uma massa de amarelos e ocres pintada em pinceladas grossas, curtas e curvas, que se retorcem como ondas e formam no centro dois montes de espigas. O campo sobe até o muro, que aqui é apenas uma linha violeta, e atrás as montanhas, em azul e lilás, são a única cor fria, com o sol como um disco pálido pouco mais claro que o céu. É o quadro «terrivelmente empastado» e «todo amarelo» das cartas: o amarelo do sol, do trigo e do céu se fundem numa só luz.
O ceifeiro
A figura é minúscula e quase se perde no trigo. O museu explica como foi feita: «O ceifeiro é resolvido com apenas alguns toques de azul na tinta amarela ainda úmida, por isso os contornos ficaram esverdeados. A única pincelada da foice mal se vê». Essa figura vaga «que luta como um diabo» é a que Van Gogh transformou, dois meses depois de começá-la, em «a imagem da morte», o reverso dos semeadores de Arles: lá um homem semeia sob um sol enorme; aqui outro ceifa sob o mesmo sol. Segundo as notas da edição, Van Gogh se refere provavelmente ao Semeador ao pôr do sol de novembro de 1888.
Onde ver Campo de trigo com ceifeiro e sol
No Museu Kröller-Müller, em Otterlo (Países Baixos), onde está exposto. A repetição de setembro de 1889 está no Museu Van Gogh de Amsterdã. A lista completa está em onde ver os quadros de Van Gogh.
Ficha técnica
| Título | Campo de trigo com ceifeiro e sol (Wheat Field with Reaper and Sun; Korenveld met maaier en zon; Reaper) |
|---|---|
| Autor | Vincent van Gogh |
| Data | Saint-Rémy-de-Provence, fim de junho – início de setembro de 1889 |
| Técnica | Óleo sobre tela |
| Dimensões | 73 × 92 cm |
| Catálogo | F617 / JH1753 (repetição: F618 / JH1773; desenho: F1546 / JH1754) |
| Localização | Museu Kröller-Müller, Otterlo (KM 101.173) |
| Fase | Saint-Rémy (1889–1890) |
Obras relacionadas
- Campo de Trigo com Ceifeiro: a repetição, no Museu Van Gogh.
- Campo de Trigo ao Amanhecer: o mesmo campo, verde, em maio.
- Campo Cercado com Lavrador: o mesmo campo, arado, em outubro.
- O Semeador: «o oposto» do ceifeiro.
- Campo de Trigo com Ciprestes: o trigo de junho, fora do muro.
Fontes: ficha da obra em krollermuller.nl (KM 101.173); cartas 784, 800 e 859 com suas notas (vangoghletters.org).
