Campo de Trigo com Ciprestes (Korenveld met cipressen) é a paisagem de verão que Vincent van Gogh pintou em junho de 1889 nos campos em volta do hospital de Saint-Rémy-de-Provence: um trigal dourado, um par de ciprestes escuros à direita, os Alpilles azuis ao fundo e um céu de nuvens enroladas. Van Gogh o considerou uma das suas melhores paisagens de verão e o repetiu. A primeira versão, pintada ao ar livre, está no Museu Metropolitano de Arte de Nova York; a repetição de ateliê, de setembro de 1889, na National Gallery de Londres; e uma terceira, menor, numa coleção particular. É um dos quadros do verão em que os ciprestes, «belos como um obelisco egípcio», se tornam tema da sua pintura.
Significado de Campo de Trigo com Ciprestes: o que representa
Um campo de trigo maduro, quase pronto para a colheita, ocupa o primeiro plano; atrás, arbustos e uma oliveira, e à direita dois ciprestes altos, um na frente do outro, que sobem até a borda superior. Ao fundo, as colinas, azuis e onduladas, e acima um céu de nuvens brancas e cinzentas pintadas em volutas. É uma paisagem real, a que Van Gogh via nos seus passeios pelos arredores do hospital, mas organizada em três faixas de cor: o amarelo do trigo, o verde-escuro dos ciprestes e o azul do céu e das montanhas.
O significado está nos ciprestes. Na Provença, eles são as árvores dos cemitérios e os quebra-ventos dos campos; naquele verão, continuavam ocupando seus pensamentos, como ele escreve a Theo: pareciam-lhe tão belos e tão difíceis quanto os girassóis do ano anterior, e ninguém, dizia, os tinha pintado como ele os via. Neste quadro, não são símbolo de morte: são a vertical escura que organiza uma paisagem de verão cheia de vida.
A carta a Theo: «belos como um obelisco egípcio»
Em 25 de junho de 1889, Vincent escreveu a Theo (carta 783 em vangoghletters.org) que os ciprestes continuavam ocupando seus pensamentos e que gostaria de fazer algo com eles como fez com os girassóis, porque o espantava que ninguém ainda os tivesse pintado como ele os via. E os descrevia assim: «É belo de linhas e de proporções, como um obelisco egípcio. E o verde tem uma qualidade tão distinta. É a mancha escura numa paisagem banhada de sol, mas é uma das notas escuras mais interessantes, a mais difícil de acertar em cheio que eu possa imaginar». Na mesma carta, diz ter doze telas de tamanho nº 30 em andamento, entre elas dois estudos de ciprestes e um trigal «muito amarelo e muito luminoso»; os editores das cartas identificam entre essas doze o Campo de Trigo com Ciprestes do Met (F 717).
Em setembro, ainda confinado no seu quarto do hospital depois de uma recaída, pintou a repetição do quadro de junho, que mandou para Theo, e uma versão menor destinada à mãe e à irmã Willemien. É isso que hoje distingue as três versões: a de Nova York é a pintada do natural; a de Londres, a de ateliê.
Análise: cor, movimento e as três faixas
Amarelo, verde e azul
Van Gogh o descreveu como um quadro de verão, e a cor confirma: o amarelo do trigo em toda a metade inferior, o verde-escuro dos ciprestes e o azul das montanhas e do céu. Diferentemente dos pares de complementares de Arles, aqui a harmonia é de três cores, e as nuvens brancas fazem a ligação entre o amarelo e o azul.
Tudo se move
O trigo é pintado com pinceladas curtas e inclinadas, como se o vento o penteasse, e os ciprestes, com traços ondulantes que sobem como chamas. As nuvens e as montanhas ondulam no mesmo ritmo. É a pincelada de A Noite Estrelada, pintada no mesmo mês, aplicada a uma paisagem diurna: a pincelada dá ao conjunto a sensação de vento.
As diferenças entre as versões
A versão de Nova York, pintada ao ar livre, tem a pincelada mais solta e alguns empastes grossos; a de Londres, feita no ateliê a partir dela e provavelmente numa única sessão, é mais ordenada e luminosa. As duas têm quase o mesmo tamanho. A terceira, de 51,5 × 65 cm, é a cópia reduzida que ele fez para a mãe e a irmã.
Curiosidades
- Os ciprestes ficaram. Depois deste quadro, Van Gogh pintou os ciprestes muitas e muitas vezes: sozinhos (Ciprestes, no Met), com duas figuras, com uma estrada e uma estrela (Estrada com Cipreste e Estrela, já em 1890) e, sobretudo, em A Noite Estrelada.
- Chegou a Londres em 1923. Foi comprado pelo Courtauld Fund em 1923, um ano antes de Os Girassóis; ficou na Tate até 1961, quando passou para a National Gallery.
- O de Nova York chegou em 1993. O Metropolitan o adquiriu com recursos da Fundação Annenberg («Purchase, The Annenberg Foundation Gift, 1993»).
Onde ver Campo de Trigo com Ciprestes
A versão de junho está no Museu Metropolitano de Arte de Nova York, nas galerias de pintura europeia do século XIX; a de setembro, na National Gallery de Londres, na sala 43, ao lado de Os Girassóis e A Cadeira de Van Gogh. A paisagem real, com as colinas ao fundo, ainda pode ser vista do caminho que contorna Saint-Paul-de-Mausole, em Saint-Rémy. O quadro está nos nossos papéis de parede, e os demais museus com obras de Van Gogh, em onde ver os quadros de Van Gogh.
Todas as obras de Van Gogh do Museu Metropolitano de Arte (Met) que têm ficha neste site, com informações para a visita: Van Gogh no Museu Metropolitano de Arte (Met).
Ficha técnica
| Título | Campo de Trigo com Ciprestes (Korenveld met cipressen / A Wheatfield, with Cypresses) |
|---|---|
| Autor | Vincent van Gogh |
| Data e local | Saint-Rémy-de-Provence, fim de junho – início de julho de 1889 (primeira versão) e setembro de 1889 (repetição) |
| Técnica | Óleo sobre tela |
| Dimensões | Nova York: 73,2 × 93,4 cm. Londres: 72,1 × 90,9 cm |
| Catálogos | F 717 · JH 1756 (Nova York); F 615 · JH 1755 (Londres); F 743 (versão reduzida) |
| Localização | Museu Metropolitano de Arte, Nova York (1993.132) e National Gallery, Londres (NG3861) |
| Período | Saint-Rémy-de-Provence (1889–1890) |
Obras relacionadas
- Ciprestes (desenho, Saint-Rémy, 1889): desenho relacionado com esta obra.
- Trigal e ciprestes (desenho, Saint-Rémy, 1889): desenho relacionado com esta obra.
- A Noite Estrelada (junho de 1889): também com um cipreste, à noite.
- Estrada com Cipreste e Estrela (1890): o último cipreste de Saint-Rémy.
- Campo de Trigo com Corvos (1890): o trigo, um ano depois, em Auvers.
- Campo de Trigo com Ceifeiro (1889): a colheita, naquele mesmo verão.
- Lírios (1889): o jardim do hospital, na primavera.
Fontes: carta 783 (a Theo, 25 de junho de 1889), edição do Van Gogh Museum e do Huygens Institute, vangoghletters.org; fichas da obra no Metropolitan Museum of Art (1993.132) e na National Gallery (NG3861); Wikipedia, «Wheat Field with Cypresses».
