A arlesiana (Madame Ginoux), 1890: a versão de Gauguin no MASP

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A arlesiana (Madame Ginoux), título do MASP para L’Arlésienne, é um óleo sobre tela de 65 × 54 cm que Vincent van Gogh pintou em Saint-Rémy-de-Provence no começo de 1890, a partir de um desenho de Paul Gauguin.

Retrata Marie Ginoux, dona do Café de la Gare de Arles, de meio corpo, com vestido escuro e peitilho branco, o rosto apoiado na mão e dois livros sobre uma mesa verde, diante de um fundo rosa. Catalogada como F542 / JH1894, está no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), Brasil (MASP.00114).

Significado de A arlesiana do MASP

Segundo as notas da edição das cartas, Van Gogh pintou em Saint-Rémy cinco retratos de Madame Ginoux a partir do desenho que Gauguin tinha feito dela em Arles em 1888; conhecem-se quatro (F540, F541, F542 e F543), e o quinto, destinado à própria Madame Ginoux, se perdeu (nota à carta 856). No fim de abril de 1890 ele pedia a Theo: «Quanto ao retrato da arlesiana, você sabe que prometi um ao nosso amigo Gauguin; você precisa cuidar para que ele o receba» (carta 863). Segundo as notas da edição das cartas, a pesquisa de procedência demonstrou que a versão que Gauguin recebeu é esta (F542).

Por volta de 13 de junho, Gauguin escreveu a Vincent: «Vi a tela da senhora Ginoux. Muito bela e muito curiosa, gosto mais dela do que do meu desenho» (carta 884). Van Gogh respondeu num rascunho escrito em Auvers por volta de 17 de junho de 1890, uma carta que, segundo o catálogo do MASP, ele nunca terminou nem enviou: «me dá um enorme prazer que você diga que gostou do retrato da arlesiana baseado rigorosamente no seu desenho». Tinha procurado ser respeitosamente fiel ao desenho, tomando a liberdade de interpretá-lo por meio da cor: «É uma síntese de arlesiana, se você quiser […] considere-a uma obra sua e minha, como um resumo dos nossos meses de trabalho juntos» (carta RM23). Acrescentava que o doutor Gachet, depois de duas ou três hesitações, tinha acabado por entendê-la completamente e dizia: «como é difícil ser simples».

Análise: o fundo rosa e os livros

A figura, de contornos escuros e firmes, se destaca contra um fundo rosa riscado com traços diagonais. O vestido preto-azulado e o peitilho branco ocupam o centro, e o verde da mesa e dos livros equilibra o rosa do fundo. O museu observa que os livros são dois dos favoritos de Vincent, Contos de Natal, de Charles Dickens, e A cabana do Pai Tomás, de Harriet Beecher Stowe, e, para sua equipe curatorial, esta versão é «claramente a mais bem sucedida e complexa», com pinceladas rápidas e leves.

Onde ver A arlesiana do MASP

O quadro está no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), que tem outras três pinturas de Van Gogh. Segundo a ficha do museu, entrou no acervo em 1954 como doação de um grupo de mecenas, embora outro texto do próprio MASP fale de uma venda ao museu em 1950. As outras versões estão no Museu Kröller-Müller, em Otterlo, na Galeria Nacional de Arte Moderna e Contemporânea, em Roma, e numa coleção particular. Mais museus em onde ver os quadros de Van Gogh.

Todas as obras de Van Gogh do Museu de Arte de São Paulo (MASP) que têm ficha neste site, com informações para a visita: Van Gogh no Museu de Arte de São Paulo (MASP).

Ficha técnica

TítuloA arlesiana (Madame Ginoux); L’Arlésienne
AutorVincent van Gogh, a partir de um desenho de Paul Gauguin
DataSaint-Rémy, 1890 (fevereiro de 1890 segundo o vggallery e a Wikipedia; janeiro-fevereiro segundo outros autores citados pelo MASP)
TécnicaÓleo sobre tela
Dimensões65 × 54 cm
CatálogoF542 / JH1894
LocalizaçãoMuseu de Arte de São Paulo (MASP.00114)
Cartas863, 884 e RM23; notas às cartas 856, 866, 877, 888 e 889
FaseSaint-Rémy-de-Provence (1889–1890)

Obras relacionadas

Fontes: ficha MASP.00114 e textos do Museu de Arte de São Paulo (masp.org.br); cartas 863, 884 e RM23 e notas às cartas 856, 863, 866, 877, 884, 888 e 889 no vangoghletters.org; «List of works by Vincent van Gogh» na Wikipedia em inglês; ficha F542 no vggallery.com.

Sobre esta ficha. Redigida por Jorge Torres, editor do Museu Van Gogh, e revisada em setembro de 2026. Fontes: cartas de Vincent van Gogh na edição do Museu Van Gogh e do Huygens Institute (vangoghletters.org), catálogos raisonnés de De la Faille (F) e Hulsker (JH) e a documentação do museu que conserva a obra. Como fazemos as fichas.