Le Moulin de la Galette (outono de 1886): o moinho de Montmartre com um homem cavando, em coleção particular

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Le Moulin de la Galette é um óleo sobre tela de 55 × 38,5 cm que Vincent van Gogh pintou em Paris no outono de 1886, no seu primeiro ano na cidade. Mostra o moinho de Montmartre visto de baixo, empoleirado num morrote com um muro de tábuas, sob um céu de nuvens com pássaros, e em primeiro plano um homem de blusa azul que cava uma horta. É um dos vários quadros do moinho que ele pintou naquele ano, hoje espalhados por museus de três continentes. Este, catalogado como F349 / JH1184, é o único da série que continua numa coleção particular, segundo a lista da Wikipédia e o vggallery.com.

Significado de Le Moulin de la Galette: o que representa

O Moulin de la Galette era, na verdade, várias coisas ao mesmo tempo. Segundo a Wikipédia, o moinho que aparece nesses quadros é o Blute-Fin, um moinho de grãos construído em 1622 que no século XIX pertencia à família Debray; os donos aproveitaram a vista sobre Paris para montar um terraço e um salão de baile. Esse conjunto, com o baile ao ar livre entre dois dos últimos moinhos da Butte, é o Moulin de la Galette que Renoir pintou em 1876 cheio de casais dançando. Van Gogh morava muito perto: desde junho de 1886 dividia com Theo o apartamento do número 54 da rue Lepic, onde tinha seu próprio ateliê (nota à carta 569). Mas o que ele pinta não é o baile nem o terraço, e sim o moinho como aquilo que ele também era: um moinho velho na borda de uma Montmartre ainda meio rural, com hortas, muros e gente trabalhando a terra.

A Wikipédia resume assim: no seu primeiro ano em Paris, Van Gogh pintou as áreas rurais de Montmartre, «a colina e seus moinhos», com cores «às vezes sombrias, que evocam sua ansiedade e sua solidão», e outras vezes claras e entusiasmadas. Este quadro fica a meio caminho: a paleta é fria, de azuis, cinzas e verdes apagados, mas o céu se abre em brancos e azuis luminosos, e o homem que cava, de costas para nós, lembra os camponeses de Nuenen transportados para os arredores da grande cidade.

O que Van Gogh contou

Sobre os quadros de Montmartre quase não há notícia nas cartas, porque Vincent morava com Theo e não precisava escrever para ele. A menção mais próxima está na carta que mandou em setembro ou outubro de 1886 a Horace Mann Livens, um colega da academia de Antuérpia. Conta a ele que, por falta de dinheiro para modelos, fez «uma série de estudos de cor pintando simplesmente flores», buscando «oposições de azul com laranja, vermelho e verde, amarelo e violeta», e acrescenta: «fiz também uma dúzia de paisagens, francamente verdes, francamente azuis» (carta 569; «francamente» no sentido de «realmente», segundo a nota da edição). Segundo as notas da edição das cartas, não é possível saber com exatidão a que paisagens ele se refere, mas vários dos quadros dos moinhos de Montmartre são candidatos. Este, com seu moinho azul e seu céu azul, se encaixa bem na descrição.

Análise: o moinho visto da horta

Um ponto de vista baixo

Van Gogh se coloca na horta, ao pé do morrote, de modo que o moinho, com suas pás e seu mastro, se recorta inteiro contra o céu e ocupa a metade superior da tela. O formato vertical reforça essa altura. Entre a horta e o moinho há um talude de terra e um muro de tábuas que fecha o terreno; à direita, alguns arbustos de outono já quase sem folhas.

O homem que cava

A figura do primeiro plano, curvada sobre a terra com uma enxada, é o que organiza o quadro. Os cavadores são uma figura recorrente na sua obra holandesa, e aqui reaparecem em Montmartre, tratados com a pincelada mais solta e clara que ele estava aprendendo com os impressionistas. É o mesmo tipo de figura pequena e trabalhadora que ele põe em outras paisagens da colina, como as hortas de Montmartre de 1887.

As outras versões do moinho

Van Gogh pintou o Moulin de la Galette várias vezes em 1886. Segundo a lista da Wikipédia, três quadros de composição parecida estão na Stiftung Langmatt, em Baden (F226), no Kröller-Müller, em Otterlo (F227), e na Alte Nationalgalerie de Berlim (F228); outros com o mesmo título estão no Kelvingrove de Glasgow (F274, pintado de um terreno baldio da rue Lepic), no Museu Nacional de Belas Artes de Buenos Aires (F348), no Museu de Arte Carnegie, em Pittsburgh (F348a), e este, em coleção particular (F349). A eles se somam os quadros do terraço e do mirante do Blute-Fin e, já em 1887, a grande tela Montmartre: atrás do Moulin de la Galette, do Museu Van Gogh (F316, 81 × 100 cm, a primeira das suas duas grandes telas de Montmartre, segundo as notas da carta 572).

História

Não há ficha de museu que documente sua proveniência: o vggallery.com o situa numa coleção particular.

Onde ver Le Moulin de la Galette

Não está em nenhum museu. As versões que podem ser vistas estão no Kröller-Müller (Otterlo), na Alte Nationalgalerie (Berlim), no Kelvingrove (Glasgow), no Carnegie (Pittsburgh) e no Museu Nacional de Belas Artes (Buenos Aires); o baile do mesmo lugar, pintado por Renoir, está no Museu d’Orsay. Você encontra a lista completa em onde ver os quadros de Van Gogh.

Ficha técnica

TítuloLe Moulin de la Galette
AutorVincent van Gogh
DataParis, outono de 1886
TécnicaÓleo sobre tela
Dimensões55 × 38,5 cm
CatálogoF349 / JH1184
LocalizaçãoColeção particular
FaseParis (1886–1888)

Obras relacionadas

Fontes: cartas 569 e 572, com suas notas (vangoghletters.org); vggallery.com (F349); Wikipédia, «Le Moulin de la Galette (Van Gogh series)» e «Bal du moulin de la Galette».

Sobre esta ficha. Redigida por Jorge Torres, editor do Museu Van Gogh, e revisada em setembro de 2026. Fontes: cartas de Vincent van Gogh na edição do Museu Van Gogh e do Huygens Institute (vangoghletters.org), catálogos raisonnés de De la Faille (F) e Hulsker (JH) e a documentação do museu que conserva a obra. Como fazemos as fichas.