Caveira (Skull; Schedel) é um óleo sobre tela de 42,4 × 30,4 cm que Vincent van Gogh pintou em Paris em maio de 1887. Mostra um crânio humano de perfil, voltado para a direita, sobre um fundo ocre-amarelo com toques de verde, sem mesa nem qualquer objeto. É um dos dois crânios que Van Gogh pintou em Paris naquele mês; o outro, quase do mesmo tamanho, é a Caveira F297a. Catalogado como F297 / JH1346, está no Museu Van Gogh de Amsterdã (s0123V1962).
Significado de Caveira: o que representa
Van Gogh só havia pintado o tema uma vez antes, em Antuérpia, com humor: a Caveira com Cigarro Aceso de 1886, da sua época de aluno da Academia (da mesma época é um desenho de um esqueleto pendurado com um gato, F1361). Segundo a Wikipédia, em 1887-1888 ele pintou mais dois quadros com crânios, os únicos outros de sua obra (além de um desenho do mesmo período) que usam a caveira como motivo: são este e o seu par do Museu Van Gogh. Ao contrário do esqueleto fumante, aqui não há piada nem vanitas evidente: o museu chama o seu par de «estudo de cor» e, deste, descreve sobretudo a técnica: contornos, empastes e rachaduras. Sobre o par (F297a), diz: «Uma caveira é monocromática, mas Van Gogh usou muitas cores diferentes para pintar esta. Seria possível produzir assim uma imagem convincente? Essa parece ter sido a pergunta que Van Gogh tinha em mente quando fez este estudo de cor».
Análise: contornos azuis e rachaduras
Como foi pintado
O museu o descreve assim: «Van Gogh usou um pincel estreito e tinta azul para indicar os contornos do crânio. A tinta fina alterna com a grossa: para os reflexos de luz sobre o crânio, ele usou toques espessos de tinta clara». Isso se vê na imagem: a calota do crânio é construída com traços curtos de ocre, rosa, verde e azul que acompanham sua curvatura, com um contorno azul que marca a mandíbula, a órbita do olho e as suturas; no alto, um zigue-zague de tinta clara faz o papel de brilho. Os dentes são pintados um a um, em branco amarelado com sombras azuis. O fundo, ocre-dourado, é varrido com pinceladas largas e diagonais e, na parte inferior esquerda, fica verde, como se o crânio repousasse sobre a grama.
O quadro que está por baixo
O detalhe mais marcante está na superfície. Em muitos pontos, sobretudo logo abaixo do crânio, veem-se rachaduras de secagem: «A tinta rachou porque Van Gogh pintou o crânio sobre um quadro anterior», explica o museu. Aqui ele não pintou diretamente por cima: primeiro cobriu a imagem anterior com uma camada de branco de zinco, uma tinta que seca muito devagar; a secagem continuou depois de pintado o crânio, e essa camada é a causa das rachaduras na tinta de cima.
História
Segundo a ficha do museu, Van Gogh deixou o quadro no apartamento de Theo em Paris no início de maio de 1887. Após a morte de Theo, passou a Jo van Gogh-Bonger e ao filho dela, Vincent Willem, que o transferiu para a Fundação Vincent van Gogh em 1962; ficou em depósito no Museu Stedelijk até a inauguração do Museu Van Gogh em 1973.
Onde ver Caveira
No Museu Van Gogh de Amsterdã; antes da visita, vale conferir no site do museu se ele está exposto. Você encontra a lista completa em onde ver os quadros de Van Gogh.
Ficha técnica
| Título | Caveira (Skull; Schedel) |
|---|---|
| Autor | Vincent van Gogh |
| Data | Paris, maio de 1887 |
| Técnica | Óleo sobre tela (pintado sobre um quadro anterior coberto com branco de zinco) |
| Dimensões | 42,4 × 30,4 cm |
| Catálogo | F297 / JH1346 |
| Localização | Museu Van Gogh, Amsterdã (Fundação Vincent van Gogh; s0123V1962) |
| Fase | Paris (1886–1888) |
Obras relacionadas
- Caveira (F297a): o outro crânio de maio de 1887, o estudo «em muitas cores».
- Caveira com Cigarro Aceso: a brincadeira de Antuérpia, 1886.
- Sapatos: outro estudo parisiense de 1887.
- Natureza-morta com Limões em um Prato: os experimentos técnicos do inverno de 1887.
- Autorretrato com Chapéu de Palha: a mesma pincelada em listras de cor.
Fontes: fichas das obras em vangoghmuseum.nl (s0123V1962 e s0128V1962); Wikipédia, «Skull of a Skeleton with Burning Cigarette».
