A Colheita (The Harvest; também A planície de La Crau perto de Arles, com Montmajour ao fundo) é um óleo sobre tela de 73,4 × 91,8 cm que Vincent van Gogh pintou em Arles em junho de 1888. Mostra a planície de La Crau em plena ceifa, vista do alto de uma colina: um monte de feno com escadas em primeiro plano, campos amarelos e verdes com carroças, cercas e sítios de telhado vermelho, um ceifeiro minúsculo e, ao fundo, a linha azul dos Alpilles e a abadia de Montmajour sob um céu turquesa sem nuvens. Van Gogh o considerou um de seus melhores quadros. Catalogado como F412 / JH1440, está no Museu Van Gogh de Amsterdã (s0030V1962), em exposição.
Significado de A Colheita: o que representa
É o quadro central da colheita de 1888, o momento em que Van Gogh, recém-chegado à Provença, encontrou nos trigais o tema que procurava: o trabalho camponês, que havia pintado na Holanda, sob uma luz nova. O museu o descreve assim: «Quase se pode sentir a secura e o calor nesta pintura da paisagem plana que cerca Arles. Van Gogh combinou o azul-celeste do céu com tons amarelos e verdes para a terra, a fim de captar a atmosfera de um dia de verão». E acrescenta que ele trabalhou nos trigais dias inteiros sob o sol, completando dez quadros e cinco desenhos em pouco mais de uma semana, até que uma tempestade pôs fim à ceifa: «Vemos um trigal ceifado pela metade, escadas e várias carroças. Um ceifeiro trabalha ao fundo, e por isso ele intitulou a obra La moisson, “A colheita”».
Van Gogh descreveu o tema a Theo em 12 de junho de 1888, quando o tinha «em andamento»: «campos verdes e amarelos a perder de vista, que já desenhei duas vezes e que estou recomeçando como pintura, exatamente como um Salomon Koninck, sabe, o aluno de Rembrandt que fazia as vastas paisagens planas. Ou é como algo de Michel ou de Jules Dupré» (carta 623; segundo a edição das cartas, ele pensava na verdade em Philips de Koninck, o pintor das grandes paisagens planas). La Crau, a planície pedregosa entre Arles e os Alpilles, lembrava-lhe a Holanda: a Camargue, dizia na mesma carta, tinha «um caráter absolutamente à la Ruisdael». Segundo as notas da edição das cartas, ele fez antes dois desenhos do tema (F1484 e F1483, este último colorido com aquarela como estudo preparatório) e um primeiro estudo pintado, Trigal (F564).
O melhor que ele já tinha feito, segundo Macknight e Boch
Alguns dias depois, por volta de 15 de junho, já o dava por concluído: «a colheita é um pouco mais séria. E esse é o tema em que trabalhei esta semana, numa tela tamanho 30; mal está feita, mas mata o resto do que tenho, exceto uma natureza-morta, trabalhada com paciência. Macknight e um amigo dele que também esteve na África viram este estudo hoje e disseram que era o melhor que eu já tinha feito» (carta 625). O amigo era, segundo as notas, o pintor belga Eugène Boch, que Van Gogh retrataria pouco depois como O poeta. O museu resume assim a opinião que Vincent deu a Theo: a tela «mata absolutamente o resto», nas palavras da ficha.
Depois do quadro, segundo as notas da carta 629, Van Gogh ficou mais uma semana nos trigais, até que começou a chover em 20 de junho; daí saíram os outros estudos de trigais, os Montes de feno e o primeiro Semeador. A Casa de campo na Provença é dos mesmos dias de junho. Naquele verão ele desenhou também La Crau vista de Montmajour com pena de junco: é a versão desenhada desta mesma paisagem.
Análise: uma paisagem holandesa na Provença
A planície em faixas
O quadro é construído em faixas horizontais, como as paisagens holandesas que Van Gogh citava: em primeiro plano, o campo já ceifado, com as cercas de junco e o monte de feno apoiado em suas escadas; no centro, os campos amarelos e verdes com a carroça azul de rodas vermelhas, um ceifeiro e os sítios; ao fundo, a cadeia azul dos Alpilles com Montmajour e suas ruínas à esquerda; e, no alto, uma faixa de céu turquesa uniforme, sem uma nuvem. A luz é uniforme, quase sem sombras, como em pleno meio-dia.
As complementares de junho
A cor se reduz a dois pares: o amarelo dos campos contra o azul do céu e dos montes, e o verde do capim e das árvores contra os telhados vermelhos e as rodas da carroça. É a paleta do verão de 1888, a dos trigais e dos girassóis, pintada aqui com uma pincelada mais contida que em outros estudos daqueles dias: Van Gogh chamava este quadro de «sério», e isso se nota no cuidado com o desenho de cada cerca, cada escada e cada casa.
História
Segundo a ficha de procedência do museu, Van Gogh entregou o quadro em meados de agosto de 1888 a seu amigo Paul-Eugène Milliet para que o levasse a Theo em Paris, com a segunda grande remessa de Arles. Com a morte de Theo, passou a Jo van Gogh-Bonger e ao filho dela, Vincent Willem, e, por meio da Fundação Vincent van Gogh, está hoje no Museu Van Gogh.
Onde ver A Colheita
No Museu Van Gogh de Amsterdã, que em seu site o indica como «atualmente em exposição». Outra vista da colheita de 1888, Colheita na Provença, está no Museu de Israel, em Jerusalém. Você encontra a lista completa em onde ver os quadros de Van Gogh.
Ficha técnica
| Título | A Colheita (The Harvest; La moisson; A planície de La Crau com Montmajour ao fundo) |
|---|---|
| Autor | Vincent van Gogh |
| Data | Arles, junho de 1888 |
| Técnica | Óleo sobre tela |
| Dimensões | 73,4 × 91,8 cm |
| Catálogo | F412 / JH1440 (desenhos preparatórios: F1483 / JH1439, F1484 / JH1438) |
| Localização | Museu Van Gogh, Amsterdã (Fundação Vincent van Gogh), s0030V1962 |
| Fase | Arles (1888–1889) |
Obras relacionadas
- Colheita na Provença: a colheita de junho, em Jerusalém.
- Casa de campo na Provença: os mesmos dias, em Washington.
- O Semeador ao Pôr do Sol: o quadro que veio em seguida.
- A rocha de Montmajour com pinheiros: os desenhos de Montmajour.
- Campo de Trigo com Ceifeiro: a colheita de 1889.
Fontes: ficha da obra em vangoghmuseum.nl (s0030V1962); cartas 623, 625, 629 e 660 com suas notas (vangoghletters.org).
