A casa de Van Gogh (La Maison de Van Gogh) é uma aquarela com lápis de Paul Signac que representa a Casa Amarela do número 2 da place Lamartine, em Arles, onde Vincent van Gogh viveu e pintou em 1888. Traz a inscrição «La Maison de Van Gogh, mai 89 – mai 1933, Arles»: Signac a pintou em maio de 1933, lembrando a visita que fez a Vincent na primavera de 1889, quando ele ainda estava internado no hospital de Arles e a casa estava lacrada pela polícia. A folha mostra a casa com um toldo de «Tabacs Bar» no térreo, sob os plátanos da praça. Está em uma coleção particular, segundo a Wikipedia, e é o testemunho de um pintor amigo sobre a casa, pintado onze anos antes de sua destruição no bombardeio de 25 de junho de 1944.
Significado de A casa de Van Gogh: o que representa
A aquarela é, antes de tudo, uma lembrança. Signac visitou Vincent em Arles em março de 1889, três meses depois da crise de dezembro de 1888; em fevereiro, um abaixo-assinado dos vizinhos tinha feito com que ele fosse internado de novo no hospital, onde continuava quando Signac chegou. Quarenta e quatro anos mais tarde, ele voltou à praça e pintou a casa tal como estava em 1933, com o bar do térreo, os toldos e as pessoas na calçada, e a datou com as duas datas, a da lembrança e a da pintura. Em 1888 Vincent tinha alugado a ala direita do edifício, quatro cômodos: dois grandes no térreo, para ateliê e cozinha, e dois pequenos no primeiro andar, que davam para a praça; em um deles Gauguin se hospedou durante nove semanas a partir do fim de outubro de 1888, segundo a Wikipedia. Vincent a havia pintado em setembro de 1888.
Análise: a Casa Amarela em 1933
A fachada e o bar
Signac desenha primeiro a lápis e colore depois com manchas soltas de aquarela, deixando muito papel em branco. A casa ocupa o centro: a fachada de dois pavimentos com as janelas do primeiro andar e, embaixo, um toldo amarelo com o letreiro «Tabacs Bar» e outro toldo vermelho e branco à direita. Na calçada, figuras esquemáticas de clientes. Os amarelos do toldo e das fachadas dialogam com os azuis e violetas do céu e das sombras, na gama de complementares que Vincent tinha usado em seu quadro de 1888.
Os plátanos e a inscrição
À esquerda, o tronco de um plátano em primeiro plano e as copas que fecham a parte de cima da folha em manchas azuis, verdes e amarelas; à direita, outra árvore e uma pipa amarela no céu. Embaixo, à direita, a inscrição a lápis com as duas datas, mai 89 e mai 1933. A data «mai 89» é a da lembrança de Signac; as cartas situam sua visita a Vincent nos dias 23 e 24 de março de 1889.
A visita de Signac a Arles (março de 1889)
Signac passou por Arles a caminho do Mediterrâneo. Vincent conta a Theo em 24 de março de 1889: «vi Signac, o que me fez muito bem. Ele foi muito gentil, muito direto e muito simples quando surgiu a dificuldade de forçar ou não a porta lacrada pela polícia, que tinha destruído a fechadura. Começaram não querendo nos deixar, mas no fim entramos». Como lembrança, deu-lhe uma natureza-morta de dois arenques defumados, «que tinha exasperado os bons gendarmes da cidade de Arles porque representava dois arenques defumados, que são chamados de gendarmes, como você sabe» (carta 752; a edição identifica o quadro como Natureza-morta com arenques, F510 / JH1661). Vincent acrescenta que achou Signac «muito calmo, quando as pessoas dizem que ele é tão violento», e que raramente tinha tido com um impressionista uma conversa tão livre de desacordos; desconfia que Theo teve algo a ver com a visita, «para levantar um pouco o meu moral».
No mesmo dia Signac escreveu a Theo, segundo as notas da edição: tinha encontrado o irmão dele «em perfeito estado de saúde física e mental», e os dois tinham saído juntos na tarde anterior e naquela manhã. Vincent lhe mostrara seus quadros, «muitos deles muito bons e todos muito curiosos». O médico Rey achava que, com uma vida metódica, as crises não se repetiriam; mas Vincent teria de mudar de casa, porque os vizinhos lhe eram hostis, e desejava «uma única coisa: poder trabalhar sem ser incomodado» (carta 752, nota 1). Signac seguiu até Cassis, de onde enviou um cartão-postal em 8 de abril (carta 755); Vincent lhe respondeu no dia 10, agradecendo «sua visita, que me deu tanto prazer», e assinando com o endereço «até o fim de abril, place Lamartine 2, Arles» (carta 756); Signac respondeu de Cassis em 12 de abril descrevendo-lhe a paisagem: «um pouco de branco, um pouco de azul, um pouco de laranja, harmonicamente distribuídos» (carta 757). Vincent deixou Arles rumo ao asilo de Saint-Rémy em maio de 1889.
O que aconteceu com a casa
Segundo a Wikipedia, o edifício ficou gravemente danificado num bombardeio aliado em 25 de junho de 1944 e foi demolido depois; o Museu Van Gogh conserva uma fotografia da casa danificada, com a anotação «La Maison de Van Gogh après le Bombardement du 25 Juin 1944». Hoje há uma placa comemorativa perto do lugar onde ela ficava. A aquarela de Signac é, assim, uma imagem da casa feita por um pintor que a conheceu com Vincent.
Onde ver A casa de Van Gogh
A aquarela está em uma coleção particular e não fica exposta de forma permanente. A Casa Amarela de Van Gogh, o quadro de 1888, pode ser vista no Museu Van Gogh de Amsterdã; você encontra a lista completa em onde ver os quadros de Van Gogh.
Ficha técnica
| Título | A casa de Van Gogh (La Maison de Van Gogh) |
|---|---|
| Autor | Paul Signac (Paris, 1863 – Paris, 1935) |
| Data | Maio de 1933, segundo a inscrição (a Wikipedia a data de 1932) |
| Técnica | Aquarela e lápis sobre papel |
| Inscrição | «La Maison de Van Gogh, mai 89 – mai 1933, Arles» |
| Localização | Coleção particular |
| Lugar representado | Place Lamartine 2, Arles (edifício destruído em 1944) |
Obras relacionadas
- A Casa Amarela (A rua): o quadro de Vincent de setembro de 1888.
- Quarto em Arles: o interior da casa.
- Paul Signac: biografia: o pintor do pontilhismo e amigo de Vincent.
- Opus 217, retrato de Félix Fénéon: a obra mais famosa de Signac.
Fontes: cartas 752 (com a nota 1, carta de Signac a Theo), 755, 756 e 757 em vangoghletters.org; Wikipedia («The Yellow House», «Paul Signac»); inscrição da própria obra.
