A Casa Amarela (Het gele huis) é o quadro da casa da praça Lamartine, em Arles, onde Vincent van Gogh morou a partir de setembro de 1888 e com a qual sonhou fundar um «ateliê do Sul» com outros pintores. Ele o pintou em setembro de 1888, com o prédio amarelo recortado contra um céu de um azul intenso, e o chamou de A rua. É um óleo sobre tela de 72 × 91,5 cm e está no Museu Van Gogh de Amsterdã. A casa verdadeira já não existe: foi danificada por um bombardeio em 1944 e depois demolida.
Significado de A Casa Amarela: o que representa
O quadro mostra a esquina da praça Lamartine, em Arles. A Casa Amarela é o prédio do centro com as venezianas verdes: em maio de 1888, Van Gogh alugou a ala direita, quatro cômodos, com as duas janelas do primeiro andar que dão para a praça: a da esquina, com as venezianas abertas, era o quarto de hóspedes onde Gauguin ficou; a seguinte, quase fechada, era o quarto dele. À esquerda, o restaurante onde costumava comer; ao fundo, a ponte da ferrovia, perto da qual trabalhava seu amigo, o carteiro Joseph Roulin. Em primeiro plano, a praça com seus jardins e alguns passantes. Tudo sob um céu azul-cobalto sem nenhuma nuvem.
Para Van Gogh, a casa era muito mais que uma moradia. Era o primeiro lugar próprio que ele tinha em anos e o lugar onde queria que outros pintores vivessem e trabalhassem juntos, longe de Paris. O museu resume assim: ele tinha encontrado, enfim, um lugar onde não só pintar, mas também receber os amigos, e seu plano era transformar o prédio numa casa de artistas. Por isso mobiliou a casa com capricho, pintou os girassóis para decorá-la e esperou Gauguin durante todo o verão.
A carta a Theo: «essas casas amarelas ao sol»
Pouco depois de se instalar, Vincent mandou a Theo uma descrição e um croqui do quadro (carta 691, por volta de 29 de setembro de 1888, a mesma em que desenha a Noite Estrelada Sobre o Ródano): «é tremendo, essas casas amarelas ao sol e depois o frescor incomparável do azul». Descrevia também o chão amarelo, o céu «de um cobalto puro» e o sol «de enxofre».
Um mês depois, em 23 de outubro de 1888, Gauguin chegou à casa. Os dois meses que passaram juntos terminaram na noite de 23 de dezembro, com a crise em que Vincent cortou parte da orelha. Depois do hospital, e depois que os vizinhos pediram sua internação, Van Gogh deixou a Casa Amarela na primavera de 1889 e, em maio, foi internado em Saint-Rémy. A história completa está em Van Gogh e Gauguin e em A orelha de Van Gogh.
Análise: cor e composição
Amarelo contra cobalto
É um dos quadros em que Van Gogh leva mais longe o contraste de complementares que tinha aprendido em Paris: a fachada amarela e o chão ocre contra um céu azul-cobalto quase uniforme. Não há cinzas nem transições; a sombra da árvore sobre o restaurante é verde, não preta. O verde das venezianas, repetido nas árvores do fundo, é a terceira cor que organiza o conjunto.
Uma composição de rua
Van Gogh o chamou de A rua, e a composição explica o nome: a casa está deslocada para a esquerda, e a rua que sobe em direção à ponte da ferrovia, com a locomotiva e a fumaça, leva o olhar para o fundo à direita. As figuras minúsculas dão a escala. É um prédio comum da praça tratado com a atenção que se dá a um monumento.
O que aconteceu com a Casa Amarela
A casa foi atingida por um bombardeio aliado em 25 de junho de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, e ficou tão danificada que foi demolida. Hoje, na praça Lamartine, o lugar se parece bastante com o do quadro, mas no terreno da Casa Amarela não restou nada. Uma placa marca o local, uma das paradas do roteiro de Van Gogh em Arles, que também passa pelo terraço do café da praça do Fórum e pelo hospital onde ele foi atendido.
Onde ver A Casa Amarela
No Museu Van Gogh de Amsterdã, na coleção permanente, ao lado do Quarto em Arles, com o qual forma par: o exterior e o interior da mesma casa. Nunca saiu da família até passar para a Fundação Vincent van Gogh, em 1962. A página de ingressos do Museu Van Gogh explica preços, horários e como reservar; o quadro também está nos nossos papéis de parede.
Todas as obras de Van Gogh do Museu Van Gogh que têm ficha neste site, com informações para a visita: Van Gogh no Museu Van Gogh.
Ficha técnica
| Título | A Casa Amarela (Het gele huis / The Yellow House (The Street)) |
|---|---|
| Autor | Vincent van Gogh |
| Data e local | Arles, setembro de 1888 |
| Técnica | Óleo sobre tela |
| Dimensões | 72 × 91,5 cm |
| Catálogos | F 464 · JH 1589 |
| Localização | Museu Van Gogh, Amsterdã (Fundação Vincent van Gogh), nº s0032V1962 |
| Período | Arles (1888–1889) |
Obras relacionadas
- O parque e o lago em frente à Casa Amarela (Arles, 1888): desenho relacionado com esta obra.
- A Casa Amarela (aquarela): aquarela relacionada com esta obra.
- Parque com cerca (Arles, 1888): desenho relacionado com esta obra.
- Quarto em Arles (outubro de 1888): o interior desta casa.
- Os Girassóis (agosto de 1888): pintados para decorar o quarto de Gauguin.
- A Cadeira de Gauguin (1888): o hóspede da Casa Amarela.
- Noite Estrelada Sobre o Ródano (1888): pintada às margens do Ródano, muito perto da casa, e descrita na mesma carta.
- Retrato do carteiro Joseph Roulin (1888): o vizinho do outro lado da ponte.
Fontes: ficha da obra no Van Gogh Museum (s0032V1962); carta 691 (a Theo, por volta de 29 de setembro de 1888), edição do Van Gogh Museum e do Huygens Institute, vangoghletters.org; Wikipedia, «The Yellow House».
