O Jardim de Daubigny (Daubigny’s Garden; Le jardin de Daubigny, como Vincent escreveu na própria tela) é um óleo sobre tela de 50 × 101,5 cm, num formato de «quadrado duplo», que Vincent van Gogh pintou em Auvers-sur-Oise em julho de 1890, nas últimas semanas de sua vida. Mostra o jardim fechado da casa do pintor Charles-François Daubigny. Nele se veem um gramado verde, um canteiro de roseiras no centro, árvores dos lados, um banco com cadeiras e uma mulher; ao fundo, a casa cor-de-rosa de telhado azul e a igreja de Auvers, e em primeiro plano um gato preto. Catalogado como F777 / JH2105, pertence à coleção Rudolf Staechelin e está em depósito no Kunstmuseum da Basileia. É a primeira das duas versões grandes; a segunda, F776, está em depósito no Museu de Arte de Hiroshima, e há ainda um pequeno estudo prévio no Museu Van Gogh.
Significado de O Jardim de Daubigny: o que representa
Van Gogh admirou Daubigny a vida inteira, o paisagista da escola de Barbizon que tinha se instalado em Auvers em 1860; segundo a Wikipedia, quando ele morreu, em 1878, Vincent escreveu a Theo que a notícia o tinha entristecido muito, porque a obra dele o tocava profundamente. Quando Vincent chegou a Auvers, em maio de 1890, a viúva de Daubigny ainda morava na casa. Em 17 de junho, ele contava a Theo: «Tenho a ideia de fazer uma tela mais importante da casa e do jardim de Daubigny, do qual já tenho um pequeno estudo» (carta 889); esse pequeno estudo, pintado sobre um pano de prato por falta de tela, é o do Museu Van Gogh (carta 889, notas 8 e 10).
Ao voltar da visita a Paris de 6 de julho, Vincent escreveu: «uma vez de volta aqui, voltei a trabalhar, embora o pincel quase me caísse das mãos, e, sabendo claramente o que eu queria, pintei desde então mais três telas grandes. São imensas extensões de trigais sob céus turbulentos, e fiz questão de tentar expressar tristeza, solidão extrema. […] Agora, a terceira tela é o jardim de Daubigny, um quadro em que eu vinha pensando desde que cheguei aqui» (carta 898, por volta de 10 de julho de 1890). Segundo as notas da edição, o quadro a que ele se refere é esta primeira versão, F777. Em 23 de julho, em sua última carta a Theo, ele enviava um croqui da segunda versão: «Talvez você veja este croqui do jardim de Daubigny: é uma das minhas telas mais deliberadas» (carta 902). A nota da edição esclarece que o croqui reproduz a segunda versão, mas a descrição que o acompanha vale para as duas:
«Primeiro plano de grama verde e rosa, à esquerda um arbusto verde e lilás e um caule de plantas de folhagem esbranquiçada. No meio, um canteiro de rosas. À direita, uma cerca de varas, um muro e, acima do muro, uma aveleira de folhagem violeta. Depois, uma sebe de lilases, uma fileira de tílias amarelas arredondadas. A própria casa ao fundo, rosa, com telhado de telhas azuladas. Um banco e 3 cadeiras, uma figura escura com chapéu amarelo e, em primeiro plano, um gato preto. Céu verde-pálido».
Análise: o jardim como um quadro «deliberado»
O gramado e as roseiras
O formato de quadrado duplo, o mesmo dos trigais de julho, abre o jardim na horizontal. Mais da metade da tela é o gramado, pintado com pinceladas curtas verdes, amarelas e rosa que seguem curvas suaves; no centro, o canteiro de rosas, com flores brancas e rosadas entre folhas verdes, é contornado por uma sombra azul-violeta, e à esquerda há um arbusto de folhas esbranquiçadas e uma roseira em flor. Em primeiro plano, embaixo à esquerda, o gato preto caminha para a direita, e no canto inferior direito se lê a inscrição «le jardin de Daubigny» em letras escuras.
As árvores, a casa e a igreja
À esquerda, uma massa de árvores escuras, quase pretas, com um tronco retorcido; embaixo delas, o banco e as cadeiras amarelas, com uma mulher de vestido azul e outra figura escura em pé. À direita, a sebe de lilases e a fileira de tílias redondas, e atrás a grade azul e o muro branco, com uma figura junto ao portão. Ao fundo, a casa comprida e rosada de Daubigny, com seu telhado azul, um pavilhão branco de telhado amarelo e, à direita, a torre da igreja de Auvers com sua agulha. O céu, verde-pálido e azulado, é pintado com traços horizontais. O quadro inteiro é uma trama de pinceladas pequenas e ordenadas, muito mais contida que a dos trigais daqueles dias; talvez por isso Vincent o tenha chamado de uma de suas telas mais «deliberadas».
As três versões
Vincent pintou o jardim de Daubigny três vezes: o pequeno estudo do Museu Van Gogh (F765, 51 × 51 cm), sobre um pano de prato, em junho; esta primeira versão grande, com o gato preto; e uma segunda versão grande (F776, 53 × 104 cm, Hiroshima), muito parecida, na qual o gato foi coberto com tinta mais tarde. A segunda versão teve uma história agitada, segundo a Wikipedia: passou pelas mãos do pintor Émile Schuffenecker, conhecido por fazer cópias de Van Gogh, e já antes da Primeira Guerra Mundial se duvidou de sua autenticidade; em 1929, depois de investigar sua procedência, a Sociedade de Amigos da Nationalgalerie de Berlim a comprou para cedê-la ao museu.
Onde ver O Jardim de Daubigny
Esta versão pertence à Fundação da família Rudolf Staechelin e está em depósito no Kunstmuseum da Basileia; consulte o site do museu antes da visita. A segunda versão está em depósito no Museu de Arte de Hiroshima, e o estudo, no Museu Van Gogh de Amsterdã. Você encontra a lista completa em onde ver os quadros de Van Gogh.
Todas as obras de Van Gogh do Kunstmuseum Basel que têm ficha neste site, com informações para a visita: Van Gogh no Kunstmuseum Basel.
Ficha técnica
| Título | O Jardim de Daubigny (Daubigny’s Garden; Le jardin de Daubigny) |
|---|---|
| Autor | Vincent van Gogh |
| Data | Auvers-sur-Oise, julho de 1890 |
| Técnica | Óleo sobre tela (formato quadrado duplo) |
| Dimensões | 50 × 101,5 cm |
| Catálogo | F777 / JH2105 |
| Localização | Coleção Rudolf Staechelin, em depósito no Kunstmuseum Basel |
| Fase | Auvers-sur-Oise (1890) |
Obras relacionadas
- O Jardim de Daubigny (Hiroshima): a segunda versão grande, sem o gato.
- O Jardim de Daubigny (estudo): o pequeno estudo de junho, no Museu Van Gogh.
- Campo de Trigo com Corvos: um dos «imensos trigais» da mesma carta, em quadrado duplo.
- Casa branca à noite: a outra casa de Auvers da carta de 17 de junho.
- A Igreja de Auvers: a torre que aparece à direita do jardim.
Fontes: cartas 889 (notas 8 e 10), 898 (nota 5) e 902 (nota 7) em vangoghletters.org; artigo «Daubigny’s Garden» na Wikipedia; vggallery.com (F777).
