Quarto em Arles

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Quarto em Arles (De slaapkamer) é o quarto de Vincent van Gogh na Casa Amarela, pintado em outubro de 1888 como uma imagem de repouso. Uma cama de madeira amarela, duas cadeiras, uma mesinha, os quadros dele na parede e um chão que parece inclinar-se na direção do espectador. Existem três versões: a primeira, de 72,4 × 91,3 cm, está no Museu Van Gogh de Amsterdã; as outras duas, pintadas um ano depois em Saint-Rémy, estão no Art Institute of Chicago e no Museu d’Orsay, em Paris. É, ao lado de Os Girassóis, o quadro mais reconhecível do seu ano em Arles.

Significado de Quarto em Arles: o que representa

O quarto é real: o dormitório do primeiro andar da Casa Amarela da Place Lamartine, que Van Gogh havia alugado em maio de 1888 e mobiliado em setembro com o dinheiro que Theo lhe enviou. No quadro, a cama ocupa a direita; à esquerda, a porta, uma mesinha com jarro e bacia, e um espelho; ao fundo, a janela com as venezianas quase fechadas e uma segunda porta; nas paredes, retratos e paisagens dele e uma toalha pendurada. Duas cadeiras de palha, como as de A Cadeira de Van Gogh, completam a cena. Não há ninguém.

O museu de Amsterdã explica que o próprio Van Gogh preparou o quarto com móveis simples e suas obras na parede, e que as cores vivas deviam expressar «descanso» ou «sono». É o quarto de um pintor que pela primeira vez tem casa própria e espera um amigo, Gauguin, que chegaria uma semana depois, em 23 de outubro.

A carta a Theo: cores chapadas «como as xilogravuras japonesas»

Em 16 de outubro de 1888, Vincent descreveu o quadro a Theo com um croqui (carta 705 da edição vangoghletters.org): as paredes de um violeta pálido, o chão de lajotas vermelhas, a madeira da cama e das cadeiras «amarelo de manteiga fresca», o lençol e os travesseiros «verde-limão muito vivo», o cobertor vermelho-escarlate, a janela verde, a mesinha laranja e a bacia azul. A cor, dizia ele, tinha de fazer tudo: ao simplificá-la, queria sugerir repouso, «o sono em geral». E acrescentava que tinha suprimido as sombras e pintado o interior de propósito «em tintas chapadas e lisas, como as xilogravuras japonesas». No dia seguinte, enviou outro croqui a Gauguin com a mesma explicação (carta 706).

Quando voltou a ver suas telas depois da crise de dezembro de 1888, escreveu que a que lhe parecia melhor era o quarto. O Museu Van Gogh cita essa frase na ficha da obra.

Análise: por que o chão está torto

A perspectiva

O ângulo estranho da parede do fundo não é um erro: segundo o museu, o canto do quarto real era de fato enviesado. Já no resto do quadro as regras da perspectiva não são aplicadas com rigor, e isso, sim, foi uma decisão: ao achatar o espaço e eliminar as sombras, como ele conta na carta, o chão se levanta e os móveis parecem prestes a escorregar na direção do espectador. É o mesmo recurso de Terraço do Café à Noite, pintado um mês antes.

A cor que vemos não é a original

As pesquisas do museu demonstraram que o forte contraste atual entre paredes azuis e chão avermelhado é resultado da descoloração: as paredes e as portas eram originalmente violeta, como diz a carta, e o pigmento vermelho que Van Gogh misturou ao azul desbotou com o tempo. O quadro que ele pintou era mais suave, com a harmonia violeta-amarelo que descreve a Theo, e não o azul-laranja que vemos hoje.

A pincelada

Van Gogh descreve a Gauguin tintas chapadas, «mas pinceladas grosseiramente, em pleno empaste»: superfícies simplificadas, sem sombras, e contornos escuros e contínuos, à maneira das xilogravuras japonesas. O resultado é um quadro de cores lisas com a tinta espessa das suas paisagens.

As três versões

  • Primeira versão (Arles, outubro de 1888, 72,4 × 91,3 cm, F 482 / JH 1608): a original. Sofreu danos causados pela umidade enquanto Van Gogh estava no hospital, e ele pediu a Theo que mandasse reentelá-la. Museu Van Gogh, Amsterdã.
  • Segunda versão (Saint-Rémy, setembro de 1889, F 484 / JH 1771): cópia de tamanho quase idêntico (73,6 × 92,3 cm), feita a partir da primeira quando Theo a devolveu para que ele a repetisse. Art Institute of Chicago.
  • Terceira versão (Saint-Rémy, setembro de 1889, F 483 / JH 1793): menor (57,3 × 73,5 cm), pintada para sua mãe e sua irmã Willemien. Museu d’Orsay, Paris.

As três se distinguem sobretudo pelos quadros na parede: em cada versão Van Gogh pendurou retratos diferentes. Na do Orsay, o retrato da esquerda lembra um dos seus autorretratos.

Onde ver Quarto em Arles

A primeira versão está no Museu Van Gogh de Amsterdã, na coleção permanente. A segunda, no Art Institute of Chicago (ficha da versão de Chicago); a terceira, no Museu d’Orsay, em Paris (ficha da versão do Orsay). Em 2016, o Art Institute reuniu as três numa exposição, algo que nunca tinha acontecido na América. Se você for a Amsterdã, consulte preços e horários na página de ingressos do Museu Van Gogh e o que mais ver no guia do museu. O quadro também está nos nossos papéis de parede.

Todas as obras de Van Gogh do Museu Van Gogh que têm ficha neste site, com informações para a visita: Van Gogh no Museu Van Gogh.

Ficha técnica

TítuloQuarto em Arles (De slaapkamer / The Bedroom)
AutorVincent van Gogh
Data e localArles, outubro de 1888 (primeira versão)
TécnicaÓleo sobre tela
Dimensões72,4 × 91,3 cm
CatálogosF 482 · JH 1608
LocalizaçãoMuseu Van Gogh, Amsterdã (Fundação Vincent van Gogh), n.º s0047V1962
PeríodoArles (1888–1889)
Veja na visita virtual. Este quadro está pendurado na sala de Arles do nosso museu virtual em 3D, em tamanho real e com zoom até a pincelada. Abrir na sala → (em espanhol)

Obras relacionadas

Fontes: ficha da obra no Museu Van Gogh (s0047V1962); cartas 705 (a Theo, 16 de outubro de 1888) e 706 (a Gauguin, 17 de outubro de 1888), edição do Museu Van Gogh e do Huygens Institute, vangoghletters.org; fichas do Art Institute of Chicago e do Museu d’Orsay; Wikipedia, «Bedroom in Arles».

Sobre esta ficha. Redigida por Jorge Torres, editor do Museu Van Gogh, e revisada em setembro de 2026. Fontes: cartas de Vincent van Gogh na edição do Museu Van Gogh e do Huygens Institute (vangoghletters.org), catálogos raisonnés de De la Faille (F) e Hulsker (JH) e a documentação do museu que conserva a obra. Como fazemos as fichas.