Baile no Moulin de la Galette (Bal du moulin de la Galette) é um óleo sobre tela de Pierre-Auguste Renoir, assinado e datado de 1876, com 131,5 × 176,5 cm, que mostra uma tarde de domingo no baile ao ar livre do Moulin de la Galette, no alto da colina de Montmartre. Foi apresentado na exposição do grupo impressionista de 1877, e o Museu d’Orsay o considera «sem dúvida a obra mais importante de Renoir em meados da década de 1870» e uma das obras-primas do primeiro impressionismo. Pertence ao Estado francês desde 1896, pelo legado de Gustave Caillebotte, e está no Museu d’Orsay de Paris (inv. RF 2739). Existe uma versão menor, quase idêntica, em coleção particular.
Significado de Baile no Moulin de la Galette: o que representa
O Moulin de la Galette era, no fim do século XIX, um estabelecimento popular da Butte Montmartre: dois dos últimos moinhos de vento da colina, com um terraço e um salão de baile. Aos domingos, os parisienses dos bairros operários vestiam a roupa de festa e passavam ali a tarde dançando, bebendo e comendo galettes até a noite. Renoir pinta essa tarde: em primeiro plano, um grupo sentado num banco e em volta de uma mesa com copos; atrás, a pista cheia de casais dançando sob as árvores; e, acima de tudo, a luz do sol filtrada pelas folhas, que cai em manchas sobre os vestidos, os chapéus e o chão.
Segundo o texto do Museu d’Orsay, embora Renoir tenha escolhido representar alguns de seus amigos, o que lhe interessava acima de tudo era «a atmosfera veemente e alegre» do lugar. Não há anedota nem protagonista: o tema é a multidão em movimento, vista com o olhar de um pintor que queria captar a vida parisiense contemporânea, e não uma cena histórica ou de salão.
Quem aparece no quadro
Georges Rivière, funcionário público e amigo de Renoir, contou a gênese do quadro em suas memórias, Renoir et ses amis, e identificou vários dos personagens. A moça do vestido listrado de rosa e azul, no centro do primeiro plano, é Estelle Samary, irmã de Jeanne Samary, a modelo favorita de Renoir, que ele não conseguiu convencer a posar. As duas irmãs iam ao Moulin todos os domingos com a família. Ao lado dela estão sentados os pintores Pierre-Franc Lamy e Norbert Goeneutte, e o próprio Rivière. Entre os dançarinos do fundo estão Henri Gervex, Eugène Pierre Lestringuez e Paul Lhote. No centro da pista, o pintor cubano Pedro Vidal de Solares y Cárdenas, de calça listrada, dança com a modelo Margot (Marguerite Legrand). Margot morreu de tifo dois anos depois; Renoir cuidou dela até o fim. Renoir distribuía entre suas modelos um chapéu da moda, o timbale, um chapéu de palha com uma larga fita vermelha; o da jovem no alto à direita é um deles.
Contexto: o ateliê da rue Cortot
Renoir concebeu o projeto em maio de 1876 e, para pintá-lo, precisava de um ateliê perto do moinho. Encontrou-o numa casa abandonada da rue Cortot, com um jardim que Rivière descreveu como «um belo parque abandonado»; ali pintou, no mesmo ano, outras obras importantes, como O balanço. O jardim e os edifícios são hoje o Museu de Montmartre. Segundo Rivière, o quadro foi pintado no local, não sem dificuldade, porque o vento ameaçava o tempo todo levar a tela embora.
Análise: a luz, a multidão e o formato
Luz natural e luz artificial
O que o Orsay destaca é «o estudo da multidão em movimento numa luz ao mesmo tempo natural e artificial», tratado «com toques vibrantes e coloridos». As manchas de sol sobre o paletó do homem de costas e sobre o chão, os rosas e azuis dos vestidos, os pretos das sobrecasacas que nunca são totalmente pretos: tudo é pintado com uma pincelada solta que dissolve os contornos. Essa «certa dissolução das formas», diz o museu, foi uma das causas das reações negativas da crítica da época.
Um quadro da vida moderna, em grande formato
Com 176,5 cm de largura, é uma tela de formato ambicioso aplicada a um baile popular. O Orsay aponta justamente essa combinação, um tema «ancorado na vida parisiense contemporânea», um estilo inovador e um «formato imponente, sinal da ambição do projeto de Renoir», como o que faz do quadro uma das obras-primas dos primórdios do impressionismo.
A versão menor
Renoir pintou outra versão do quadro, de 78 × 114 cm e com o mesmo título. A não ser pelo tamanho, as duas são praticamente idênticas, embora a menor seja pintada de maneira mais fluida; não se sabe qual é a original e qual a réplica. A menor pertenceu durante anos a John Hay Whitney e em 1990 foi vendida por sua viúva ao empresário japonês Ryoei Saito, o mesmo comprador do Retrato de Dr. Gachet de Van Gogh; depois das dificuldades financeiras de Saito, foi revendida de forma confidencial e hoje se acredita que esteja numa coleção particular suíça.
História: o legado Caillebotte
Segundo a ficha do Museu d’Orsay, o quadro foi adquirido pelo pintor Gustave Caillebotte entre 1877 e abril de 1879 e fazia parte de sua coleção quando ele morreu, em 1894. Em 1896 o Estado francês o aceitou dentro do legado Caillebotte, com destino ao Museu do Luxemburgo, onde ficou até janeiro de 1929; passou depois ao Louvre (a partir de 1947 na galeria do Jeu de Paume) e em 1986 foi destinado ao recém-criado Museu d’Orsay.
Renoir, o Moulin de la Galette e Van Gogh
Dez anos depois deste quadro, em 1886, Vincent van Gogh chegou a Paris e morou com o irmão Theo em Montmartre, na rue Lepic, perto do Moulin de la Galette. Pintou o moinho várias vezes naquele ano, com uma paleta que começava a clarear por influência dos impressionistas, embora o que lhe interessasse fosse o moinho e a colina, não o baile (veja Le Moulin de la Galette). Theo, marchand em Paris, interessou-se por Renoir entre outros «modernos». O contraste entre os dois olhares sobre o mesmo lugar, a festa luminosa de Renoir e o moinho visto do terreno baldio por Van Gogh, ilustra a distância entre o impressionismo e o pós-impressionismo; você tem uma introdução em impressionismo e pós-impressionismo.
Onde ver Baile no Moulin de la Galette
No Museu d’Orsay de Paris, que o conserva desde 1986. Vale conferir a ficha do museu antes da visita: em setembro de 2026 a obra aparecia como «não exposta em sala atualmente». Você tem a lista de museus com obras de Van Gogh em onde ver os quadros de Van Gogh.
Ficha técnica
| Título | Baile no Moulin de la Galette (Bal du moulin de la Galette) |
|---|---|
| Autor | Pierre-Auguste Renoir (1841–1919) |
| Data | 1876 (assinado e datado embaixo à direita: «Renoir 76») |
| Técnica | Óleo sobre tela |
| Dimensões | 131,5 × 176,5 cm |
| Localização | Museu d’Orsay, Paris (RF 2739; legado de Gustave Caillebotte, 1896) |
| Outras versões | Versão menor, 78 × 114 cm, coleção particular |
| Movimento | Impressionismo |
Obras relacionadas
- Renoir: biografia.
- O Almoço dos Barqueiros: a outra grande cena de lazer de Renoir, cinco anos depois.
- Le Moulin de la Galette: o moinho pintado por Van Gogh em 1886.
- A aula de dança: Degas e outra maneira de pintar a Paris moderna.
- Retrato de Dr. Gachet: o Van Gogh comprado pelo mesmo colecionador que a versão menor.
Fontes: ficha da obra em musee-orsay.fr (RF 2739); Wikipedia, «Bal du moulin de la Galette», «Theo van Gogh (art dealer)» e «Le Moulin de la Galette (Van Gogh series)».
