Ensaio de um Balé no Palco (1874): a grisalha de Degas e suas três versões

Inicio » Quadros » Ensaio de um Balé no Palco (1874): a grisalha de Degas e suas três versões

Ensaio de um Balé no Palco (Répétition d’un ballet sur la scène) é um óleo sobre tela de 65 × 81,5 cm que Edgar Degas pintou em 1874. É uma cena de gênero em formato horizontal que representa, em grisalha, ou seja, quase só com tons de cinza, algumas bailarinas ensaiando num palco. Foi apresentado na primeira exposição impressionista, a de 1874, e entrou nas coleções públicas francesas em 1911 pelo legado do colecionador Isaac de Camondo. Pertence ao Museu d’Orsay de Paris. É a maior das três versões da mesma composição: as outras duas, também de cerca de 1874, estão no Museu Metropolitano de Arte (Met) de Nova York.

O que representa Ensaio de um Balé no Palco

Um ensaio, não um espetáculo. No quadro se vê o palco na diagonal, de lado e de cima: um grupo de bailarinas de tutu branco repete um passo enquanto outras esperam, se alongam ou se distraem, como a que coça as costas em primeiro plano ou a mulher que boceja junto a um bastidor. Entre elas, um homem dirige o ensaio, e à direita, sentados em cadeiras sobre o próprio palco, dois homens de terno escuro observam.

É o mundo que Degas conhecia melhor. Mais da metade de sua obra representa bailarinas, e a partir de 1870 ele pintou cada vez mais temas de balé, em parte porque vendiam bem e lhe davam uma renda de que precisava depois que as dívidas do irmão deixaram a família na ruína. Em muitos desses quadros as bailarinas aparecem nos bastidores ou no ensaio, o que ressalta sua condição de profissionais fazendo um trabalho.

Significado: o trabalho por trás do espetáculo

Degas, que rejeitava o rótulo de impressionista e preferia se dizer realista, não pintava ao ar livre como Monet: pintava interiores, corpos em movimento e gente trabalhando. O ensaio é o tema perfeito para isso. Não há glamour: há cansaço, espera, repetição e o olhar dos homens sentados. A grisalha, a pintura quase só em tons de cinza, afasta o quadro da pintura de balé convencional, toda cor e brilho, e concentra a atenção no desenho e nos gestos das figuras.

As três versões

Há três versões muito parecidas desta cena, e a relação exata entre elas ainda é discutida pelos especialistas, como reconhece o próprio Met:

  • Museu d’Orsay, Paris: a maior, pintada em grisalha (óleo sobre tela, 65 × 81,5 cm), a que foi exposta na primeira exposição impressionista de 1874. Inventário RF 1978, legado Isaac de Camondo, 1911.
  • Met, Nova York, The Rehearsal of the Ballet Onstage (c. 1874, 54,3 × 73 cm): óleo diluído com terebintina, com toques de aquarela e pastel, sobre um desenho a pena em papel. Provavelmente anterior à versão em pastel. Coleção H. O. Havemeyer, doação de Horace Havemeyer, 1929.
  • Met, Nova York, The Rehearsal Onstage (c. 1874, 53,3 × 72,4 cm): pastel sobre desenho a tinta em papel, de execução mais livre, o que indica que provavelmente foi feito em segundo lugar. Várias figuras mudam, como a bailarina de costas na extremidade esquerda que toca a pulseira. Legado da senhora Havemeyer, 1929.

As duas versões do Met foram feitas sobre um desenho a tinta em papel, uma prática pouco habitual em Degas. A importância que ele dava à composição se vê nos desenhos preparatórios que fez para quase cada figura, da bailarina que coça as costas à mulher que boceja junto ao bastidor.

Análise: o ponto de vista e a grisalha

Olhar do camarote

Degas não coloca o espectador de frente para o palco, mas no alto e de lado. O piso do palco sobe na diagonal, as figuras são cortadas pelas bordas e o espaço fica descentralizado. É o enquadramento que caracteriza suas cenas de balé e que aqui se une ao cinza para dar a impressão de um instante roubado.

Pintar sem cor

Renunciar à cor num tema de balé é uma decisão radical para um pintor que depois faria do pastel seu meio favorito. Na grisalha, tudo depende do desenho, e Degas era um desenhista extraordinário, sobretudo do movimento. As duas versões do Met, com seus toques de aquarela e pastel, devolvem um pouco de cor à cena; a do Orsay a reduz a desenho e luz.

História

Exposto em 1874 na mostra fundadora do grupo, o quadro teve entre seus proprietários o colecionador Gustave Mühlbacher; com o legado de Isaac de Camondo, de 1911, entrou nas coleções públicas francesas. Uma gravura que reproduz o quadro invertido aparece na parede do fundo de Marie Coca e sua filha, o retrato duplo que Suzanne Valadon pintou em 1913 (Museu de Belas Artes de Lyon).

Onde ver Ensaio de um Balé no Palco

A grisalha está no Museu d’Orsay de Paris, ao lado de A Aula de Dança e das outras bailarinas de Degas do museu. As duas versões nova-iorquinas pertencem ao Museu Metropolitano de Arte (Met); a versão a óleo sobre papel está exposta na galeria 816. Você encontra a lista completa de museus em onde ver os quadros de Van Gogh.

Ficha técnica

TítuloEnsaio de um Balé no Palco (Répétition d’un ballet sur la scène)
AutorEdgar Degas (1834–1917)
Data1874
TécnicaÓleo sobre tela, em grisalha
Dimensões65 × 81,5 cm
LocalizaçãoMuseu d’Orsay, Paris (RF 1978, legado Isaac de Camondo, 1911)
Outras versõesMuseu Metropolitano de Arte (Met), Nova York (29.160.26 e 29.100.39, ambas c. 1874)
MovimentoImpressionismo

Obras relacionadas

Fontes: Wikipédia, «Répétition d’un ballet sur la scène» (fr) e «Edgar Degas»; Museu Metropolitano de Arte (fichas 29.160.26 e 29.100.39); Museu d’Orsay.

Sobre esta ficha. Redigida por Jorge Torres, editor do Museu Van Gogh, e revisada em setembro de 2026. Fontes: cartas de Vincent van Gogh na edição do Museu Van Gogh e do Huygens Institute (vangoghletters.org), catálogos raisonnés de De la Faille (F) e Hulsker (JH) e a documentação do museu que conserva a obra. Como fazemos as fichas.