Mulher com sombrinha – Madame Monet e seu filho (La Femme à l’ombrelle – Madame Monet et son fils) é um óleo sobre tela de Claude Monet pintado em 1875, de 100 × 81 cm: sua mulher, Camille, de pé no alto de uma colina com uma sombrinha verde, vista de baixo contra um céu de nuvens, e seu filho Jean, de sete anos, aparecendo atrás dela. É uma cena de família num dia de vento em Argenteuil, pintada ao ar livre numa só sessão, e um dos quadros mais reconhecíveis do impressionismo. Está assinado «Claude Monet 75» e pertence à National Gallery of Art de Washington, que o recebeu em 1983 da coleção de Paul e Bunny Mellon.
Significado de Mulher com sombrinha: o que representa
Não é um retrato formal, mas, como diz a Wikipédia, uma cena de gênero da vida cotidiana da família Monet: um momento de um passeio num dia de verão com vento, nos anos em que moravam em Argenteuil (1871–1877). Segundo a National Gallery, Camille está sobre uma colina com Jean atrás, e Monet trabalhou depressa para registrar o momento. Esboçou o céu com traços caóticos de azul e cinza e deixou áreas da tela à mostra. A grama, por outro lado, está pintada com mais densidade, em pinceladas curtas de verde, azul e marrom. Uns toques de amarelo sugerem ranúnculos, e essa cor se reflete na manga de Camille; as densas pinceladas de branco brilhante na parte de trás da saia e do casaco captam a luz. Terminado numa só sessão ao ar livre, «é uma celebração da cor e da luz».
O véu de Camille voa com o vento, assim como o vestido branco, inflado; a grama ondulante do prado se repete no verde do avesso da sombrinha. Jean, escondido atrás do desnível do terreno e visível só da cintura para cima, cria a sensação de profundidade. O conjunto transmite ar e movimento: mais do que duas figuras, Monet pinta o vento e a luz de um instante.
Contexto: Argenteuil, 1875
Monet tinha 34 anos e vivia com a família em Argenteuil, às margens do Sena, nos arredores de Paris, cenário de boa parte da pintura impressionista daqueles anos. Camille Doncieux, sua modelo desde os anos sessenta, era sua mulher desde 1870; Jean, o mais velho dos dois filhos, tinha nascido em 1867. É o maior quadro que Monet pintou na década de 1870, e ele o fez num momento em que o grupo dos impressionistas acabava de se apresentar ao público: sua primeira exposição tinha sido em 1874, a de Impressão, nascer do sol. Esta tela foi uma das dezoito obras de Monet na segunda exposição impressionista, em abril de 1876, na galeria de Paul Durand-Ruel, onde figurou com o título Promenade (passeio).
Análise: a figura vista de baixo
Um ponto de vista muito baixo
Monet se coloca ao pé da colina e olha para cima, de modo que Camille se recorta quase inteira contra o céu e ganha uma monumentalidade que não teria vista de frente. A sombrinha, com o avesso verde na sombra, protege o rosto do sol; os toques de branco brilhante na parte de trás da saia e do casaco captam a luz. O menino, muito menor e mais distante, dá a escala e a distância.
Pintura rápida
A pincelada é solta e espontânea, em manchas de cor. O museu insiste na pressa: o céu está apenas esboçado, com a tela aparecendo entre as pinceladas, enquanto a grama e as flores estão mais trabalhadas. É o método impressionista: pintar do natural, depressa, antes que a luz mude. A Wikipédia estima que foi feito provavelmente em poucas horas.
História: de Argenteuil a Washington
Segundo a proveniência documentada pela National Gallery, Monet entregou o quadro em 1876 a Georges de Bellio, seu médico homeopata, um colecionador a quem costumava pagar com quadros. Passou por herança à filha de De Bellio, Victorine, e ao marido dela, Ernest Donop de Monchy, e depois ao colecionador Georges Menier, em cuja coleção já estava em 1924. No leilão Menier de 1965, em Paris, foi comprado pelo marchand Hector Brame para Paul Mellon, o grande colecionador americano, que o doou com a mulher à National Gallery em 1983.
Dez anos depois de pintá-lo, em 1886, Monet voltou ao tema com dois quadros de uma mulher com sombrinha num prado de Giverny, uma virada para a esquerda e outra para a direita, com Suzanne Hoschedé, filha de Alice Hoschedé, que seria sua segunda mulher, como modelo; estão no Museu d’Orsay. E John Singer Sargent, que viu este quadro na exposição de 1876, pintou em 1889 suas Duas moças com sombrinhas em Fladbury.
Mulher com sombrinha e Van Gogh
Quando Van Gogh chegou a Paris, em 1886, foi seu irmão Theo, diretor de uma galeria no bulevar Montmartre, quem lhe mostrou a obra cheia de cor dos artistas modernos, e em primeiro lugar a de Monet, como conta o Museu Van Gogh. Essa pintura de cor e luz é, segundo o museu, a que ajudou os tons escuros de Nuenen, os de Os Comedores de Batata, a dar lugar à cor de seus quadros de Paris e Arles.
Onde ver Mulher com sombrinha
Na National Gallery of Art de Washington (Estados Unidos), West Building, andar principal, galeria M85, segundo a ficha do museu. A imagem do quadro é de domínio público, segundo o museu. Outras obras do museu neste site: o Vaso com Rosas de Van Gogh.
Ficha técnica
| Título | Mulher com sombrinha – Madame Monet e seu filho (La Femme à l’ombrelle – Madame Monet et son fils; exposto em 1876 como Promenade) |
|---|---|
| Autor | Claude Monet (1840–1926) |
| Data | 1875 |
| Técnica | Óleo sobre tela |
| Dimensões | 100 × 81 cm |
| Assinatura | «Claude Monet 75», embaixo à direita |
| Localização | National Gallery of Art, Washington (coleção de Mr. e Mrs. Paul Mellon, n.º 1983.1.29) |
| Primeira exposição | Segunda exposição impressionista, Paris, abril de 1876, n.º 161 |
Obras relacionadas
- Impressão, nascer do sol: o quadro que deu nome ao impressionismo.
- Crepúsculo em Veneza: o Monet tardio.
- Claude Monet: biografia.
- O Almoço dos Barqueiros: Renoir e o Sena dos impressionistas.
- Jardim com Casais de Namorados: Van Gogh pintando como um impressionista em 1887.
Fontes: National Gallery of Art (ficha 1983.1.29: texto, proveniência e exposições); Wikipédia, «Woman with a Parasol – Madame Monet and Her Son»; Museu Van Gogh, «Vincent’s Life» (Paris).
