Autorretrato com Chapéu de Palha (1887, Met): o Van Gogh de Paris pintado no verso de uma camponesa

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Autorretrato com Chapéu de Palha (Self-Portrait with a Straw Hat) é um óleo sobre tela de 40,6 × 31,8 cm que Vincent van Gogh pintou em Paris em 1887 (o vggallery o data do inverno de 1887–1888). É um dos mais de vinte autorretratos da sua fase parisiense e um dos vários em que ele se pintou com chapéu de palha. Tem uma particularidade: foi pintado no verso de um quadro anterior, A descascadora de batatas, um estudo de camponesa dos seus anos holandeses. Catalogado como F365v / JH1354, pertence ao Museu Metropolitano de Arte de Nova York.

Significado do Autorretrato com Chapéu de Palha: o que representa

Van Gogh, em busto, de paletó azul e chapéu de palha amarelo, sobre um fundo claro, olhando de lado com a expressão séria de quase todos os seus autorretratos. A barba e o cabelo ruivos e a pele são construídos com pinceladas curtas de cores justapostas, e o chapéu e o fundo com listras de amarelo, verde e azul: o quadro mostra, segundo o Met, «a consciência que o artista tinha da técnica e da teoria da cor neoimpressionistas».

Por que tantos autorretratos? O Met explica com as palavras do próprio pintor: em Paris, com pouco dinheiro mas decidido a se formar como pintor de figuras, ele se tornou o seu melhor modelo. «Comprei de propósito um espelho bom o bastante para trabalhar a partir de mim mesmo, na falta de modelo», escreveu a Theo em setembro de 1888 (carta 681), «porque, se eu conseguir pintar a coloração da minha própria cabeça, o que não deixa de apresentar alguma dificuldade, certamente conseguirei pintar também as cabeças dos outros sujeitos e das mulheres». Os autorretratos são, antes de tudo, exercícios: de cor, de pincelada e de retrato.

A série dos chapéus de palha

Em 1887, sobretudo no verão em que pintava ao ar livre em Asnières e Montmartre, Van Gogh se retratou várias vezes com chapéu de palha. Segundo a lista da Wikipedia, são pelo menos cinco. Dois estão no Museu Van Gogh de Amsterdã (F469, sobre papelão, e F61v, no verso de outro estudo); um no Detroit Institute of Arts (F526, sobre papelão, 34,9 × 26,7 cm); o do Met (F365v), que o vggallery já situa no inverno; e um com cachimbo (F179v, também no verso, Amsterdã). Além desses, no mesmo ano ele pintou autorretratos com chapéu de feltro cinza, com xilogravura japonesa e como pintor diante do cavalete. O chapéu de palha também aparece sozinho, numa natureza-morta, e na cabeça da jovem camponesa que ele retratou diante de um trigal em 1888.

O verso: A descascadora de batatas

O mais curioso do quadro está do outro lado da tela: a face original é uma Descascadora de batatas, uma cabeça de camponesa dos seus anos holandeses, do tipo de estudos que precederam Os Comedores de Batata. Em Paris, Van Gogh reaproveitou vários desses estudos: o Met observa que este autorretrato «é um dos vários pintados no verso de um estudo de camponês anterior». Por isso o quadro leva o número F365v («verso») e por isso o museu o cataloga com título duplo. Numa só tela convivem o pintor dos camponeses holandeses e o pintor de Paris, com cerca de dois anos de diferença.

Análise: a cor como exercício

Um pontilhismo à sua maneira

Em 1887 Van Gogh já tinha assimilado o impressionismo e o pontilhismo de Seurat e Signac, e antes de aplicá-los a composições grandes, como o jardim com casais, testou-os numa série de autorretratos. Aqui não há pontos, mas pinceladas curtas e direcionais, que no rosto seguem a sua forma e no fundo se dispõem em listras; as cores complementares (o azul do paletó contra o laranja da barba, o amarelo do chapéu contra o fundo azulado) dão ao retrato a sua intensidade.

O espelho

Como todos os seus autorretratos, este foi pintado diante de um espelho: o que vemos à direita é, na verdade, o lado esquerdo do rosto. É um detalhe que importa nos autorretratos de 1889 com a orelha enfaixada, e que aqui apenas lembra que Van Gogh se olhava, literalmente, para aprender a pintar os outros.

História

O quadro chegou ao Museu Metropolitano de Arte em 1967 pelo legado de Adelaide Milton de Groot (1876–1967), com o número 67.187.70a.

Onde ver o Autorretrato com Chapéu de Palha

No Museu Metropolitano de Arte de Nova York, exposto na galeria 825, junto com os outros Van Gogh do museu: Vaso com Lírios, Ciprestes e Campo de Trigo com Ciprestes. Os outros autorretratos com chapéu de palha estão no Museu Van Gogh de Amsterdã e em Detroit. Você encontra a lista completa em onde ver os quadros de Van Gogh.

Todas as obras de Van Gogh do Museu Metropolitano de Arte (Met) que têm ficha neste site, com informações para a visita: Van Gogh no Museu Metropolitano de Arte (Met).

Ficha técnica

TítuloAutorretrato com Chapéu de Palha (Self-Portrait with a Straw Hat; frente: A descascadora de batatas)
AutorVincent van Gogh
DataParis, 1887
TécnicaÓleo sobre tela (verso de um estudo de camponesa anterior)
Dimensões40,6 × 31,8 cm
CatálogoF365v / JH1354
LocalizaçãoMuseu Metropolitano de Arte, Nova York (67.187.70a; legado de Adelaide Milton de Groot, 1967)
FaseParis (1886–1888)

Obras relacionadas

Fontes: Metropolitan Museum of Art (ficha 67.187.70a); carta 681 (vangoghletters.org); vggallery.com (F365v); Wikipedia, «Portraits of Vincent van Gogh».

Sobre esta ficha. Redigida por Jorge Torres, editor do Museu Van Gogh, e revisada em setembro de 2026. Fontes: cartas de Vincent van Gogh na edição do Van Gogh Museum e do Huygens Institute (vangoghletters.org), catálogos raisonnés de De la Faille (F) e Hulsker (JH) e a documentação do museu que conserva a obra. Como fazemos as fichas.