Doze Girassóis numa Jarra (Sonnenblumen) é um óleo sobre tela de 92 × 73 cm que Vincent van Gogh pintou em Arles em agosto de 1888, a terceira das quatro versões dos girassóis daquele verão: um buquê de girassóis e botões num vaso amarelo sobre um fundo verde-azulado, turquesa (Van Gogh falou em «doze flores», mas a tela acabada mostra mais, quinze ou dezesseis, porque ele continuou acrescentando flores com a tinta ainda fresca). Catalogado como F456 / JH1561, pertence à Neue Pinakothek (Nova Pinacoteca) de Munique (Bayerische Staatsgemäldesammlungen, inv. 8672). Van Gogh o pintou para decorar o ateliê em que ia trabalhar com Paul Gauguin, e sempre o considerou o par dos girassóis sobre fundo amarelo da National Gallery de Londres.
Significado de Doze Girassóis numa Jarra: o que representa
Segundo a ficha da Pinakothek, é um quadro «de colorido radiante e ânimo exaltado». O pintor representou o vaso, as flores, a superfície de apoio e o fundo de forma simples e muito plana. O turquesa «gélido» do fundo realça os amarelos e os amarelos amarronzados. As flores evocam assim a Provença no verão e uma vida «ardente», no duplo sentido da palavra, como a que o próprio Van Gogh levou. A flor simboliza aqui o sol, que o artista entendia como símbolo da vida e assim representou em várias obras.
A forma simples e a cor forte vêm, ainda segundo o museu, da xilogravura japonesa, e mostram ao mesmo tempo a relação com o chamado cloisonismo do círculo de Gauguin. Van Gogh entendia o sul da França, em sentido amplo, como o «Japão», o lugar onde seria possível uma vida feliz; os girassóis refletem essa ideia.
Contexto: a decoração para Gauguin
Por volta de 21 ou 22 de agosto de 1888, Van Gogh escreveu a Theo que pintava «com o entusiasmo de um marselhês comendo bouillabaisse» e que tinha três telas de girassóis em andamento: três flores grandes num vaso verde sobre fundo claro; três flores, uma delas já em semente e sem pétalas, e um botão sobre fundo azul-real; e «doze flores e botões num vaso amarelo (tela n.º 30)». Esta última, acrescentava, é «claro sobre claro, e será a melhor, espero» (carta 666). Um ou dois dias depois ele já estava na quarta, a de «14 flores» sobre fundo amarelo que hoje está em Londres (carta 668).
O motivo ele explica na mesma carta: «Na esperança de viver num ateliê nosso com Gauguin, eu gostaria de fazer uma decoração para o ateliê. Nada além de grandes girassóis». Lembrava a decoração de flores do restaurante vizinho à loja de Theo em Paris, «o grande girassol na vitrine», e planejava «uma dúzia de painéis, mais ou menos»: «O conjunto será, portanto, uma sinfonia em azul e amarelo. Trabalho nisso todas as manhãs, desde o nascer do sol. Porque as flores murcham depressa e é preciso fazer tudo de uma vez».
Análise: claro sobre claro
O terceiro da série
Dos quatro girassóis de agosto de 1888, este é o primeiro em formato grande (uma tela n.º 30, cerca de 92 × 73 cm) e, depois do azul-real do segundo, volta ao fundo claro da primeira versão: um verde-azulado que faz vibrar o amarelo do vaso e das flores. É o passo anterior ao quarto, em que ele levará a ideia ao limite pintando amarelo sobre amarelo. Por isso o museu e o próprio Van Gogh consideram as versões de Munique e de Londres um par: as duas de tamanho 30, as duas com o vaso amarelo, uma sobre fundo turquesa e outra sobre fundo amarelo.
Um tríptico com La Berceuse
Em maio de 1889, já em Saint-Rémy, Van Gogh enviou a Theo um pequeno desenho com os dois girassóis de tamanho 30 ladeando La Berceuse, o retrato de Augustine Roulin: «se você os puser nesta ordem, isto é, a Berceuse no meio e as duas telas dos girassóis à direita e à esquerda, isso forma uma espécie de tríptico. E então os tons amarelos e alaranjados da cabeça ganham mais brilho pela proximidade das venezianas amarelas» (carta 776). A moldura do centro seria a vermelha, e os dois girassóis, «os que estão cercados de ripas de madeira». Segundo as notas da edição das cartas, no esboço a natureza-morta da esquerda é a de Londres e a da direita, esta de Munique.
História: do quarto de Gauguin a Munique
Os dois girassóis grandes ficaram pendurados no quarto de Gauguin na Casa Amarela, onde Vincent dava como certo que Theo os tinha visto em sua visita a Arles. Em janeiro de 1889, com Gauguin já em Paris, Vincent contou a Theo que Gauguin «ficaria contente de ter uma delas» e que lhe faria uma repetição da que ele quisesse (carta 741); em 28 de janeiro anunciava «as repetições absolutamente equivalentes e idênticas» das duas telas (carta 743). Os originais ficaram para Theo, e as repetições são as que hoje estão no Museu de Arte da Filadélfia (F455) e no Museu Van Gogh de Amsterdã (F458).
Esta tela saiu da coleção da família em 1905, vendida por meio do marchand Paul Cassirer a Hugo von Tschudi, então diretor da Nationalgalerie de Berlim, que desde 1896 vinha comprando pintura moderna francesa (Manet, Cézanne, Renoir, Monet) para o museu. Em 1909 Tschudi passou a dirigir as coleções estatais da Baviera, onde os recursos públicos não podiam ser gastos com esse tipo de obra; pessoas próximas a ele reuniram o dinheiro e assim, em 1912, esta tela entrou em Munique como doação anônima dentro da chamada «doação Tschudi» (Tschudi-Spende). Ela está numa moldura italiana da segunda metade do século XIX, provavelmente bolonhesa.
Onde ver Doze Girassóis numa Jarra
Pertence à Neue Pinakothek de Munique, fechada para uma reforma geral. Enquanto ela dura, uma seleção de suas obras-primas está exposta no térreo da Alte Pinakothek: o catálogo on-line do museu situa o quadro ali, na sala I. Vale conferir no site da Pinakothek se ele continua em exposição antes da visita. Você encontra a lista completa em onde ver os quadros de Van Gogh.
Todas as obras de Van Gogh da Neue Pinakothek que têm ficha neste site, com informações para a visita: Van Gogh na Neue Pinakothek.
Ficha técnica
| Título | Doze Girassóis numa Jarra (Sonnenblumen / Sunflowers) |
|---|---|
| Autor | Vincent van Gogh |
| Data | Arles, agosto de 1888 |
| Técnica | Óleo sobre tela |
| Dimensões | 92 × 73 cm (91 × 72 cm em outras fontes) |
| Catálogo | F456 / JH1561 |
| Localização | Bayerische Staatsgemäldesammlungen, Neue Pinakothek, Munique (inv. 8672); exposto temporariamente na Alte Pinakothek |
| Fase | Arles (1888–1889) |
Obras relacionadas
- Os Girassóis de Van Gogh: todas as versões e onde vê-las.
- Vaso com Três Girassóis e Vaso com Cinco Girassóis: as duas primeiras versões.
- Vaso com Quinze Girassóis: o par de Londres.
- A família Roulin: Augustine Roulin, a Berceuse do tríptico.
- A Casa Amarela: o ateliê que decoravam.
Fontes: Bayerische Staatsgemäldesammlungen (ficha inv. 8672 e página da Neue Pinakothek); cartas 666, 668, 741, 743 e 776 com suas notas (vangoghletters.org); Wikipedia, «Sunflowers (Van Gogh series)» e «Hugo von Tschudi»; vggallery.com (F456).
