Grande Pavão-noturno (Giant Peacock Moth; neste site também Mariposa-pavão-gigante) é um pequeno óleo sobre tela de 33,5 × 24,5 cm que Vincent van Gogh pintou no hospital de Saint-Rémy-de-Provence entre maio e junho de 1889, em suas primeiras semanas ali. Mostra uma grande mariposa noturna pousada, de asas abertas, sobre as folhas de um arum (jarro), vista bem de perto. Van Gogh achou que era uma «esfinge-caveira»; na verdade era um grande pavão-noturno. Catalogado como F610 / JH1702, está no Museu Van Gogh de Amsterdã (s0189V1962), em exposição.
Significado de Grande Pavão-noturno: o que representa
A ficha do museu o explica com a carta do próprio pintor. Por volta de 23 de maio de 1889, duas semanas depois de dar entrada no asilo, Van Gogh escreveu a Theo: «Ontem desenhei ali uma mariposa noturna muito grande, bastante rara, que chamam de caveira, de uma coloração espantosamente distinta: preto, cinza, branco, matizado, e com reflexos de carmim ou tendendo vagamente para o verde-oliva; é muito grande. Para pintá-la eu teria de matá-la, e teria sido uma pena, porque o animal era tão bonito» (carta 776). O museu acrescenta: «Mais tarde ele decidiu pintar a mariposa assim mesmo, usando seu desenho como modelo. Van Gogh a chamou de “esfinge-caveira” e representou uma espécie de caveira no dorso do corpo dela. Na verdade, porém, era um grande pavão-noturno, uma espécie que tem apenas listras ali».
A frase «para pintá-la eu teria de matá-la» é a chave do quadro. Segundo as notas da edição das cartas, alguns autores a leram como uma alusão à pintura, mas a redação mostra que Van Gogh ainda não a tinha pintado: fez o desenho (F1523), copiou-o num croqui na carta, e só depois pintou o quadro a partir desse desenho. O inseto continuou vivo. É o mesmo respeito por «uma única folha de grama» que ele admirava nos artistas japoneses (carta 686) e que em Saint-Rémy o levou a pintar, no jardim do hospital, um lírio sozinho, as borboletas entre as papoulas ou esta mariposa noturna.
Contexto: o jardim do hospital
Van Gogh deu entrada em Saint-Paul-de-Mausole em 8 de maio de 1889 e nas primeiras semanas não saiu de seus muros: pintou o jardim, seus lírios e seus lilases, e o que encontrava nele. Na mesma carta 776 ele anuncia a Theo quatro telas do jardim e lhe diz que, «considerando que a vida acontece sobretudo no jardim, não é tão triste». A mariposa, ele a encontrou ali. Segundo a Wikipedia, Van Gogh pintou pelo menos quatro quadros de borboletas e um de uma mariposa, e a metamorfose da lagarta em borboleta era para ele um símbolo da capacidade de transformação de homens e mulheres.
Análise: uma prancha de história natural
Bem de perto
O quadro é pequeno e a mariposa o preenche: asas pardas e cinzentas com os ocelos, as manchas em forma de olho, e o corpo peludo com o desenho que Van Gogh interpretou como uma caveira. Atrás, as grandes folhas verdes do arum, as flores brancas e o fundo verde, pintados com a pincelada em redemoinho de Saint-Rémy. O tamanho da mariposa e das plantas do fundo, como observa a Wikipedia, atrai o espectador para dentro da obra: é um quadro para olhar de perto, como o próprio pintor olhou o animal.
O erro de identificação
A «esfinge-caveira» traz, como o nome indica, um desenho de caveira no corpo; o grande pavão-noturno (Saturnia pyri, segundo a identificação de um entomologista registrada na edição das cartas), que é o que Van Gogh viu, «tem apenas listras ali», diz o museu. Van Gogh pintou o que acreditava estar vendo e acrescentou a caveira. O resultado é um animal meio real e meio imaginado; o museu hoje lhe dá o nome da espécie real.
História
Segundo a ficha de proveniência do museu, o quadro estava na casa de Theo, em Paris, depois de junho de 1889; com a morte dele passou a Jo van Gogh-Bonger e ao filho, Vincent Willem, e por meio da Fundação Vincent van Gogh está no Museu Van Gogh, junto com o desenho preparatório.
Onde ver Grande Pavão-noturno
No Museu Van Gogh de Amsterdã, que em seu site o indica como «atualmente em exposição». Você encontra a lista completa em onde ver os quadros de Van Gogh.
Todas as obras de Van Gogh do Museu Van Gogh que têm ficha neste site, com informações para a visita: Van Gogh no Museu Van Gogh.
Ficha técnica
| Título | Grande Pavão-noturno (Giant Peacock Moth; Great Peacock Moth; Mariposa-pavão-gigante) |
|---|---|
| Autor | Vincent van Gogh |
| Data | Saint-Rémy-de-Provence, maio–junho de 1889 |
| Técnica | Óleo sobre tela |
| Dimensões | 33,5 × 24,5 cm |
| Catálogo | F610 / JH1702 (desenho: F1523 / JH1700) |
| Localização | Museu Van Gogh, Amsterdã (Fundação Vincent van Gogh), s0189V1962 |
| Fase | Saint-Rémy-de-Provence (1889–1890) |
Obras relacionadas
- Borboletas e Papoulas: as borboletas de 1890.
- Grama e borboletas.
- Lírio: outra planta vista de perto no jardim do hospital.
- Lírios (Getty): o jardim de maio de 1889.
- Lilases: o mesmo jardim, as mesmas semanas.
Fontes: ficha da obra em vangoghmuseum.nl (s0189V1962); cartas 686 e 776 com suas notas (vangoghletters.org); Wikipedia, «Butterflies (Van Gogh series)» e «Vincent van Gogh».
